Teoremas do valor médio, L'Hôpital e diferencial
Rolle, Lagrange, Cauchy, hipóteses de L’Hôpital, aproximação linear e taxas relacionadas.
Rolle e extremos interiores
A função vale zero em e em , mas desce e volta a subir entre esses pontos. O mínimo está em , onde a tangente é horizontal. Rolle garante um ponto com derivada zero quando os valores nos extremos coincidem e as hipóteses de regularidade se verificam.
Se uma função tem um máximo ou mínimo local num ponto interior e é derivável aí, então . É o teorema de Fermat, que não afirma que todo o zero da derivada é um extremo: a função tem derivada zero em e continua a crescer dos dois lados.
O teorema de Rolle diz que, se é contínua em , derivável em e , existe com .
A continuidade garante máximo e mínimo no intervalo. Se a função não é constante, um deles é interior, porque os valores nos extremos são iguais. Fermat dá então a derivada zero nesse ponto. Numa função constante, qualquer ponto interior serve.
Para em , temos e . O ponto é . Já em cumpre a igualdade dos extremos mas não a derivabilidade interior. Não existe ponto com derivada zero.
Teorema de Lagrange
Se é contínua em e derivável em , existe tal que
A taxa média é atingida como taxa instantânea. Para demonstrar, subtrai a reta secante a . A diferença é contínua, derivável no interior e vale zero nos dois extremos, por isso Rolle aplica-se.
Na figura, em . A taxa média é . Resolvendo , obtemos . A secante e a tangente nesse ponto são paralelas, embora sejam retas diferentes.
Se num intervalo, Lagrange dá para quaisquer dois pontos, logo é constante nesse intervalo. Se , obtemos também
Por exemplo, , porque . Estas conclusões aplicam-se apenas dentro de cada intervalo: a função tem derivada negativa em todo o domínio, mas não é decrescente quando comparamos pontos de lados diferentes de zero.
Teorema de Cauchy e regra de L’Hôpital
Se são contínuas em e deriváveis no interior, existe com
Se nunca se anula, Rolle garante e podemos escrever esta identidade como igualdade de quocientes. Para , recuperamos Lagrange.
Uma consequência é a regra de L’Hôpital. Se são deriváveis numa vizinhança perfurada do ponto, nessa vizinhança, e temos uma indeterminação ou , então
desde que o limite da direita exista, finito ou infinito. Usa a versão lateral quando necessário; o resultado também vale no infinito com hipóteses correspondentes.
Para , a substituição dá , por isso derivamos numerador e denominador separadamente:
Ainda temos , por isso aplicamos a regra novamente e obtemos . A regra não manda derivar o quociente.
A expressão em não é indeterminada. O limite é ; derivar os dois termos daria , uma conclusão falsa.
Para outras indeterminações, transforma primeiro:
- pode passar a quociente, como . Para , esta forma é . Derivar dá , logo . A transformação vem antes da regra, e a verificação da indeterminação também.
- pode pedir denominador comum ou conjugado.
- Em , ou , toma logaritmos de uma expressão positiva e calcula o limite do logaritmo.
Por exemplo, para ,
Temos . A razão das derivadas é . Logo .
Se a razão das derivadas não tem limite, a regra não decide, embora a razão original ainda possa convergir; não confundas uma condição suficiente com uma equivalência.
Por exemplo, é uma indeterminação . Derivar numerador e denominador dá , que oscila entre e sem tender para nenhum limite. Aqui o denominador derivado nunca se anula (), por isso a única obstrução é a oscilação: a regra nada conclui. No entanto, dividindo por ,
porque . O limite existe e vale , apesar de a regra não o decidir.
Diferencial e aproximação linear
Se é derivável em , a sua variação satisfaz
O símbolo significa que o erro dividido por tende para zero. Chamamos diferencial à parte linear, . Se , então aproxima , mas não é geralmente igual a ela.
Para perto de , e . Assim,
O incremento absoluto previsto é . Para uma medida com pequeno erro , estima . O erro relativo é aproximadamente , quando .
Taxas relacionadas
Quando várias grandezas dependem do tempo, escreve primeiro a relação geométrica e só depois deriva em ordem ao tempo. Num cone de altura m e raio superior m, a semelhança de triângulos dá . O volume de água até à altura é
Derivando, ; se entram m/min, quando m temos
A altura sobe. Se o tanque estivesse a esvaziar com o mesmo caudal, e o sinal da velocidade seria negativo. Substituir antes de derivar apagaria a variável que precisamos de acompanhar.