Polinómio e série de Taylor

Construção de Taylor, resto de Lagrange, erro, séries de potências e intervalo de convergência.

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Polinómio de Taylor

Para aproximar exe^x perto de zero, começamos com a reta 1+x1+x, que tem o mesmo valor e a mesma derivada no centro. Como a sua segunda derivada é zero enquanto a da exponencial vale 11, acrescentar x2/2x^2/2 corrige essa diferença, e o termo x3/6x^3/6 faz coincidir também a terceira derivada. É assim que construímos P3,0P_{3,0}.

O polinómio de Taylor de ordem nn de ff em aa é

Pn,a(x)=∑k=0nf(k)(a)k!(x−a)k.P_{n,a}(x)=\sum_{k=0}^{n}\frac{f^{(k)}(a)}{k!}(x-a)^k.

O símbolo ∑\sum manda somar os termos para k=0,1,…,nk=0,1,\ldots,n. Usamos f(0)=ff^{(0)}=f; para k≥1k\ge1, f(k)f^{(k)} é a derivada de ordem kk. O fatorial é k!=1⋅2⋯kk!=1\cdot2\cdots k, com 0!=10!=1.

O polinómio tem grau no máximo nn e satisfaz Pn,a(k)(a)=f(k)(a)P_{n,a}^{(k)}(a)=f^{(k)}(a) para k=0,…,nk=0,\ldots,n. O fator k!k! aparece porque derivar (x−a)k(x-a)^k exatamente kk vezes dá k!k!.

Para exe^x em a=0a=0, todas as derivadas valem 11 no centro:

P3,0(x)=1+x+x22+x36.P_{3,0}(x)=1+x+\frac{x^2}{2}+\frac{x^3}{6}.

Não se trata de uma igualdade com exe^x para todos os xx. A diferença é o resto.

Para ver como igualar as derivadas no centro determina os coeficientes, observa essa construção neste vídeo:

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Resto de Lagrange

Se ff tem derivadas contínuas até ordem n+1n+1 no segmento entre aa e xx, existe ξ\xi entre esses pontos tal que

f(x)=Pn,a(x)+Rn,a(x)Rn,a(x)=f(n+1)(ξ)(n+1)!(x−a)n+1.\begin{gathered} f(x)=P_{n,a}(x)+R_{n,a}(x)\\ R_{n,a}(x)=\frac{f^{(n+1)}(\xi)}{(n+1)!}(x-a)^{n+1}. \end{gathered}

Não conhecemos ξ\xi. Para controlar o erro, procuramos uma cota MM para ∣f(n+1)∣|f^{(n+1)}| em todo o segmento:

∣f(x)−Pn,a(x)∣≤M∣x−a∣n+1(n+1)!.|f(x)-P_{n,a}(x)|\le\frac{M|x-a|^{n+1}}{(n+1)!}.

Ao aproximar e0,1e^{0{,}1} com P3,0P_{3,0}, obtemos 1,105166…1{,}105166\ldots. Em [0,0,1][0,0{,}1], a quarta derivada é exe^x. Como a exponencial cresce, o máximo no segmento está na extremidade direita: ex≤e0,1<2e^x\le e^{0{,}1}<2. Tomamos M=2M=2. Logo

∣e0,1−P3,0(0,1)∣<2(0,1)424=1120000.\begin{gathered} |e^{0{,}1}-P_{3,0}(0{,}1)| <\frac{2(0{,}1)^4}{24}\\ =\frac1{120000}. \end{gathered}

A cota é inferior a 10−510^{-5}. Não substituímos ξ\xi por zero nem pelo ponto final sem uma justificação.

Taylor de x ln x no centro um

Seja f(x)=xln⁡xf(x)=x\ln x, x>0x>0, com centro a=1a=1. O valor da função é f(1)=0f(1)=0; a primeira derivada é f′(x)=ln⁡x+1f'(x)=\ln x+1, com f′(1)=1f'(1)=1. Para k≥2k\ge2,

f(k)(x)=(−1)k(k−2)!x1−k.f^{(k)}(x)=(-1)^k(k-2)!x^{1-k}.

Verifica os primeiros casos: f′′=1/xf''=1/x, f′′′=−1/x2f'''=-1/x^2 e f(4)=2/x3f^{(4)}=2/x^3. A fórmula conserva o sinal e o fatorial ao derivar novamente.

Dividindo cada derivada em 11 pelo fatorial, obtemos para n≥2n\ge2:

Pn,1(x)=(x−1)+∑k=2n(−1)kk(k−1)(x−1)k.\begin{gathered} P_{n,1}(x)\\ =(x-1)+\sum_{k=2}^{n} \frac{(-1)^k}{k(k-1)}(x-1)^k. \end{gathered}

Por exemplo, P3,1(x)=(x−1)+(x−1)2/2−(x−1)3/6P_{3,1}(x)=(x-1)+(x-1)^2/2-(x-1)^3/6. O resto de ordem nn é

Rn,1(x)=(−1)n+1n(n+1)ξn(x−1)n+1,R_{n,1}(x)=\frac{(-1)^{n+1}}{n(n+1)\xi^n}(x-1)^{n+1},

com ξ\xi entre 11 e xx. Esta forma exige que o segmento fique em ]0,+∞[]0,+\infty[, onde ff tem as derivadas contínuas necessárias.

Da fórmula à série de Taylor

Se ff tem derivadas de todas as ordens em torno de aa, podemos formar a série

∑k=0∞f(k)(a)k!(x−a)k.\sum_{k=0}^{\infty}\frac{f^{(k)}(a)}{k!}(x-a)^k.

Para afirmar que a soma é f(x)f(x), precisamos de Rn,a(x)→0R_{n,a}(x)\to0. Ter todas as derivadas não garante essa igualdade. A função que vale e−1/x2e^{-1/x^2} para x≠0x\ne0 e zero em x=0x=0 tem todas as derivadas nulas em zero. A sua série de Taylor é zero, mas a função é positiva fora de zero.

As séries usadas com mais frequência são

ex=∑k=0∞xkk!sin⁡x=∑k=0∞(−1)kx2k+1(2k+1)!cos⁡x=∑k=0∞(−1)kx2k(2k)!,\begin{gathered} e^x=\sum_{k=0}^{\infty}\frac{x^k}{k!}\\ \sin x=\sum_{k=0}^{\infty}\frac{(-1)^kx^{2k+1}}{(2k+1)!}\\ \cos x=\sum_{k=0}^{\infty}\frac{(-1)^kx^{2k}}{(2k)!}, \end{gathered}

válidas para todo o real xx. Para a geométrica e o logaritmo,

11−x=∑k=0∞xk(∣x∣<1)ln⁡(1+x)=∑k=1∞(−1)k+1xkk(−1<x≤1).\begin{gathered} \frac1{1-x}=\sum_{k=0}^{\infty}x^k\\ (|x|<1)\\ \ln(1+x)=\sum_{k=1}^{\infty}\frac{(-1)^{k+1}x^k}{k}\\ (-1<x\le1). \end{gathered}

O extremo x=1x=1 do logaritmo exige estudar a série alternada. Em x=−1x=-1, a função não está definida e a série diverge.

O exemplo xln⁡xx\ln x também dá uma série num centro diferente de zero. Multiplica a série de ln⁡(1+h)\ln(1+h) por 1+h1+h, com h=x−1h=x-1. Agrupar os coeficientes dá

xln⁡x=(x−1)+∑k=2∞(−1)kk(k−1)(x−1)k0<x≤2.\begin{gathered} x\ln x\\ =(x-1)+\sum_{k=2}^{\infty}\frac{(-1)^k}{k(k-1)}(x-1)^k\\ 0<x\le2. \end{gathered}

O raio é um. Em x=2x=2, a série converge absolutamente. Em x=0x=0, a série também converge e soma zero, mas a função original não está definida; esse valor só corresponde à extensão contínua de xln⁡xx\ln x em zero. Convergência da série e domínio da função são questões distintas.

Ver justificação dos extremos

Nos extremos, os módulos são 1/[k(k−1)]=1/(k−1)−1/k1/[k(k-1)]=1/(k-1)-1/k. A soma destes módulos, para k≥2k\ge2, é 11 por cancelamento. Em x=0x=0, o primeiro termo é −1-1 e os restantes somam 11, dando zero. Para ∣x−1∣≤1|x-1|\le1, a cauda depois de k=Nk=N tem módulo no máximo 1/N1/N, independentemente de xx. Esse controlo permite passar ao limite x→2−x\to2^- na igualdade e incluir x=2x=2.

Uma composição pode evitar muitas derivadas. Como a série da exponencial vale em todo o domínio,

x3e−2x2=x3∑k=0∞(−2x2)kk!=∑k=0∞(−2)kx2k+3k!.\begin{gathered} x^3e^{-2x^2}=x^3\sum_{k=0}^{\infty}\frac{(-2x^2)^k}{k!}\\ =\sum_{k=0}^{\infty}\frac{(-2)^k x^{2k+3}}{k!}. \end{gathered}

Os primeiros termos são x3−2x5+2x7−43x9+⋯x^3-2x^5+2x^7-\frac43x^9+\cdots.

Séries de potências e extremos

Uma série ∑ck(x−a)k\sum c_k(x-a)^k tem um raio de convergência R∈[0,+∞]R\in[0,+\infty]. Converge absolutamente se ∣x−a∣<R|x-a|<R e diverge se ∣x−a∣>R|x-a|>R. Nos pontos a−Ra-R e a+Ra+R, quando RR é finito e positivo, estudamos cada série separadamente.

Para

∑k=1∞(x−2)kk 3k,\sum_{k=1}^{\infty}\frac{(x-2)^k}{k\,3^k},

a razão dos módulos de termos sucessivos tende para ∣x−2∣/3|x-2|/3. Temos convergência absoluta quando ∣x−2∣<3|x-2|<3, ou seja, −1<x<5-1<x<5. Em x=−1x=-1 surge ∑(−1)k/k\sum(-1)^k/k, convergente; em x=5x=5, a série harmónica diverge. O intervalo é [−1,5[[-1,5[.

Dentro do intervalo aberto de convergência, podemos derivar e integrar uma série de potências termo a termo. Esta operação conserva o raio, mas o comportamento nos extremos pode mudar e tem de ser verificado de novo. Por exemplo, integrar a geométrica dá a série do logaritmo; só depois verificamos os extremos.

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