Séries numéricas
Somas parciais, séries geométricas e telescópicas, critérios de convergência e erro alternado.
Somas parciais
Na soma , os totais depois de uma, duas e três parcelas são , e . Cada parcela cobre metade da distância que faltava até .
Uma série é estudada através das somas parciais . Converge para se com finito; caso contrário, diverge. Neste exemplo, , logo a soma é .
O teste do termo geral e as séries geométricas
Se uma série converge, necessariamente , porque . O contrário é falso. Na série harmónica , os termos tendem para zero, mas a soma diverge. Agrupando os termos entre e , cada grupo soma pelo menos .
Uma série geométrica tem razão constante . Como
temos se . Se , o termo geral nem tende para zero. Para uma série que começa em ,
Por exemplo, . O índice inicial muda a soma.
Séries telescópicas: somar por cancelamento
O cancelamento só é seguro numa soma finita. Para , a decomposição é . Então
Ao tomar o limite, a soma é . Não separas uma série convergente na diferença de duas séries divergentes.
Outro exemplo é . A soma parcial é e tende para . Ser telescópica não implica convergir.
Critérios de convergência
Os critérios seguintes estudam convergência, mas, salvo séries reconhecíveis, não calculam a soma.
Comparação e séries p
Para termos não negativos, compara com uma série de referência. Se a partir de certa ordem e converge, então converge. Se e diverge, então diverge.
Quando as ordens de grandeza coincidem, usa a comparação por limite. Se e com , as séries têm a mesma natureza. Se , só a convergência de garante a de .
A referência mais usada é , que converge se e só se . A prova geral usa o critério do integral, que fica para depois dos integrais impróprios. O caso verifica-se já por cancelamento: para , , cuja soma parcial é . Para , comparamos com :
Como a série com converge, a série dada converge.
Critério do integral
O critério do integral compara uma série com um integral impróprio e exige integrais impróprios, que só aparecem mais à frente. Até lá, usa comparação com séries de referência. O critério, com a prova por retângulos e as cotas do resto, está na página dos integrais impróprios.
Razão e raiz
Para a partir de certa ordem, calcula , se existir. Se , a série converge absolutamente. Se , ou o limite é , diverge. Se , o teste não decide.
Para ,
logo há convergência absoluta. O fatorial sugere este teste.
O critério da raiz usa , com as mesmas conclusões. É útil quando todo o termo está elevado a .
Para ,
logo a série converge. Calcular apenas o limite de , que dá zero, não decidiria a questão.
Séries alternadas e convergência absoluta
Se é decrescente a partir de certa ordem e , a série converge, pelo critério de Leibniz. Para , estas condições verificam-se. A série converge, mas a série dos módulos diverge. A convergência é condicional.
Uma série converge absolutamente se converge. Convergência absoluta implica convergência. Se diverge, ainda tens de estudar a série original.
Quando Leibniz se aplica desde o primeiro termo, o erro de uma soma parcial satisfaz
Por exemplo, na série alternada , garante erro no máximo . As somas parciais ficam alternadamente acima e abaixo da soma.
Estratégia de resolução
Começa pelo termo geral: se não tende para zero, termina com divergência; se tende para zero, procura razão constante, cancelamento, comparação com uma série , fatorial ou potência . Com sinais alternados, testa primeiro convergência absoluta e depois Leibniz se for necessário.
Alterar um número finito de termos não muda a convergência, mas pode mudar a soma. Um resultado nos testes da razão ou da raiz exige outro critério. A harmónica e dão ambos , apesar de terem naturezas diferentes.
Exercícios
Fatorial e potência: escolher o teste
Estuda e . Justifica um critério que decida cada caso. Usa o limite .
Pista
Na primeira série, a razão cancela os fatoriais. Na segunda, começa pelo limite do termo geral, antes de procurar um teste de convergência.
Solução
Para , temos
O teste da razão prova convergência absoluta. Na segunda série, . O termo geral não tende para zero, logo a série diverge. Uma potência com expoente não obriga a usar a raiz quando um teste anterior já decide.
Confere a tua resposta:
- Simplifiquei a razão para 2(n/(n+1))ⁿ e obtive 2/e<1.
- Concluí convergência absoluta da primeira série.
- Obtive limite e⁻¹ do termo geral da segunda e concluí divergência.
Duas séries com o mesmo limite da razão
Aplica o teste da razão a e a . O teste distingue as suas naturezas? Classifica cada série com um argumento que decida.
Pista
Um limite igual a um pede outro critério. Podes comparar com séries ou usar agrupamento e comparação com uma telescópica.
Solução
As razões são e . Ambas tendem para , por isso o teste não decide nenhuma das duas questões.
A primeira é a harmónica, uma série com , e diverge. Podemos confirmar agrupando os termos de a : há termos, cada um pelo menos , logo cada grupo acrescenta pelo menos .
A segunda converge. Para , . As somas desta majorante telescópica são limitadas por . A comparação prova convergência, de acordo com o critério das séries para .
Confere a tua resposta:
- Calculei limite um nas duas razões.
- Concluí divergência da harmónica e convergência da série de quadrados.
- Justifiquei as conclusões por outro argumento, sem usar apenas o limite do termo geral.
Taylor com controlo do erro
Obtém o polinómio de Taylor de ordem de em zero. Escreve o resto de Lagrange e limita o erro em .
Pista
Calcula as três primeiras derivadas e a quarta para o resto.
Mais uma pista
. No segmento de zero a , o denominador é pelo menos .
Solução
As derivadas em zero são , , e . Portanto
O resto é , com entre zero e . Em , .
Confere a tua resposta:
- Dividi cada derivada pelo fatorial correto.
- Escrevi o resto com xi entre o centro e o ponto.
- Obtive uma cota de 1/40000.
Erros frequentes
Os coeficientes são derivadas divididas por fatoriais. O ponto desconhecido do resto não pode ser escolhido livremente.
Construir uma série sem derivar muitas vezes
Obtém a série de Taylor em zero de e indica onde representa a função.
Pista
Parte da série de .
Mais uma pista
Substitui e só depois multiplica por .
Solução
Como para todo o real ,
Os primeiros termos são . A representação vale para todo o .
Confere a tua resposta:
- Obtive o expoente 2k+4 e o sinal alternado.
- Mantive k! no denominador.
- Indiquei validade em todo o real.
Erros frequentes
Elevar a k afeta tanto o sinal como o expoente de x. O fator exterior soma quatro ao expoente.
Cancelamento com índice inicial diferente
Estuda e calcula .
Pista
Escreve a soma apenas até N.
Mais uma pista
Os denominadores são ; verifica o primeiro termo que não cancela.
Solução
A soma parcial é
O limite é , portanto a série converge e tem essa soma.
Confere a tua resposta:
- Escrevi uma soma parcial finita.
- Preservei os dois termos de fronteira.
- Obtive soma igual a um terço.
Erros frequentes
Começar em n=2 deixa 1/3, não 1. Não separes a diferença em duas séries divergentes.
Convergência absoluta ou condicional
Estuda . Distingue convergência e convergência absoluta.
Pista
O módulo comporta-se como 1/n.
Mais uma pista
Para Leibniz, testa o decréscimo de , por exemplo através da função correspondente.
Solução
Comparando os módulos com , temos , por isso a série dos módulos diverge.
Para , para . Além disso, . Leibniz garante a convergência da série original. É condicional.
Confere a tua resposta:
- Usei comparação por limite para os módulos.
- Confirmei decréscimo e limite zero.
- Concluí convergência condicional.
Erros frequentes
Divergência da série dos módulos não implica divergência da série com sinais. A alternância sozinha também não chega.
Raio e extremos de uma série de potências
Determina o intervalo de convergência de .
Pista
Aplica o teste da razão aos módulos.
Mais uma pista
O limite da razão é . Os extremos são e .
Solução
A razão é e tende para . Logo e há convergência absoluta para .
Em , obtemos , que converge por Leibniz. Em , obtemos a harmónica, que diverge. O intervalo é .
Confere a tua resposta:
- Obtive centro menos um e raio dois.
- Estudei cada extremo separadamente.
- Escrevi o intervalo [-3,1[.
Erros frequentes
O teste da razão dá 1 nos extremos e não decide. O centro é menos um, não zero.