Séries numéricas
Convergência e soma de séries, do teste do termo geral aos critérios de comparação, d'Alembert, Cauchy e Leibniz.
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Uma série numérica é a soma de infinitas parcelas, definida como o limite das somas parciais . A pergunta central é dupla: a série converge (o limite existe e é finito)? E, se converge, quanto vale a soma? A ordem de ataque é sempre a mesma: primeiro o teste do termo geral, depois a identificação da família, e só então os critérios gerais.
O teste do termo geral e as séries geométricas
Se , a série diverge forçosamente. É o teste do termo geral (ou do -ésimo termo). Atenção à lógica: se o limite é zero, o teste não conclui nada. A série harmónica diverge apesar de .
A família mais importante é a série geométrica , de razão . Converge se e só se , e nesse caso a soma é
Por exemplo, tem e , logo soma . Podes confirmar com as somas parciais: , , , , a aproximar-se de . Se , a série diverge (para a soma cresce sem limite; para oscila).
A série-, , converge se e só se . Serve de bitola para os testes de comparação: se o termo geral se comporta como , já sabes a resposta esperada.
Séries telescópicas: somar por cancelamento
Uma série é telescópica quando o termo geral se escreve como diferença de parcelas consecutivas de uma sucessão, de modo que quase tudo cancela na soma parcial.
Exemplo completo: estudar . Começa pela decomposição:
Confirma: . Certo. A soma parcial é
Tudo cancela exceto os dois primeiros termos da primeira lista e os dois últimos da segunda:
A série converge com soma . Repara que o teste do termo geral aqui dá (inconclusivo), e é a estrutura telescópica que resolve.
Critérios de convergência
Quando a série não é geométrica nem telescópica, há uma caixa de ferramentas. Para séries de termos positivos:
- Comparação: se e converge, então converge. Se diverge, também diverge. Compara com séries geométricas ou séries-.
- Critério do integral: se com positiva e decrescente, e têm a mesma natureza.
- Critério de d’Alembert (razão): calcula . Se , converge; se , diverge; se , inconclusivo. É o favorito quando há fatoriais ou exponenciais, como em ou .
- Critério de Cauchy (raiz): calcula , com a mesma leitura. É o favorito quando há potências -ésimas, como em .
Um exemplo de d’Alembert: para , tem-se , logo converge.
Para séries com sinais alternados, o critério de Leibniz diz que , com decrescente para , converge. É o que garante a convergência de . Distingue convergência absoluta (converge , o que implica convergência) de convergência simples (converge mas não absolutamente), como é o caso desta série alternada.
Estratégia de resolução
Perante uma série nova, segue esta ordem. Primeiro, calcula : se não é zero, diverge e terminaste. Depois, pergunta se é geométrica, telescópica ou série- disfarçada. Só depois escolhe um critério pela forma do termo: fatoriais e exponenciais pedem d’Alembert, potências pedem Cauchy, frações racionais pedem comparação com séries-, e sinais alternados pedem Leibniz.
Para onde ir
Com as séries numéricas dominadas, passamos ao segundo grande bloco da cadeira: o integral definido de Riemann, onde as somas finitas dão lugar ao limite que define áreas.