Integral definido e teoremas fundamentais
Somas de Riemann, integrabilidade, áreas, valor médio e derivação de funções definidas por integrais.
Somas de Riemann e o integral definido
Se a velocidade varia durante uma viagem, dividimos o tempo em intervalos e somamos as pequenas deslocações, aproximando a velocidade em cada um. O integral é o limite destas somas, e para acompanhar a construção integramos entre zero e um.
Uma partição de é uma lista . Em cada intervalo escolhemos e escrevemos . A soma de Riemann é
A norma da partição é . Uma função limitada é integrável à Riemann se estas somas tendem para o mesmo número quando , independentemente dos pontos escolhidos. Esse número é .
Ser contínua em é uma condição suficiente. Funções limitadas contínuas por partes, com um número finito de descontinuidades, também são integráveis. Uma função ilimitada num extremo exige um integral impróprio.
Para em , com intervalos iguais e extremos direitos, e . Temos
A soma dos quadrados é . Este cálculo obtém o integral a partir da definição, antes de usar primitivas. Na figura, compara cada soma com a área: a curva é crescente, por isso a soma esquerda fica abaixo e a direita acima, enquanto os pontos médios não dão necessariamente uma cota.
Outra caracterização usa as somas inferiores e superiores. Em cada intervalo, toma o ínfimo e o supremo de . Somar dá a soma inferior; somar dá a superior.
A função limitada é integrável se podemos tornar a diferença entre estas somas tão pequena quanto quisermos. A função que vale nos racionais e nos irracionais não é integrável à Riemann: cada intervalo tem ínfimo zero e supremo um.
Propriedades e sinal
Para funções integráveis e constantes ,
Por convenção, e . Se e , então . Em particular, se , então .
Áreas entre curvas
Se em , a área entre os gráficos é
Se a ordem das curvas muda, divide nos pontos de interseção ou usa . No intervalo , as funções e intersectam-se em e . A parábola fica acima fora de e abaixo dentro:
| Intervalo | Curva superior | Altura da faixa |
|---|---|---|
Nos pontos de interseção, a altura é zero. Em cada intervalo, a altura é não negativa. Portanto
Com as primitivas e , avalia cada parcela nos seus limites. Na primeira, . As parcelas são , e , e a área é . Um único integral de cancelaria áreas de sinais opostos.
Também podes integrar em . Cada faixa horizontal usa “direita menos esquerda”, com limites na coordenada .
Simetria e mudança de variável
Se é contínua em , com , a substituição dá e troca os limites:
A reflexão em torno do meio do intervalo conserva o integral. Isto resolve integrais cuja primitiva não conhecemos, desde que a função e a sua refletida somem uma constante. Quando para todo o , somar as duas expressões do integral dá .
Em , por exemplo, é contínua, pois o denominador é positivo. A reflexão troca as duas parcelas do denominador e dá . Portanto o integral é .
O mesmo procedimento explica os integrais em intervalos simétricos. Para uma função integrável em , com , a mudança na metade negativa dá
Se é ímpar, o integral anula-se por cancelamento de sinais. Se é par, é o dobro do integral em . A área geométrica continua a exigir o módulo.
Teoremas do valor médio para integrais
Se é contínua em , , existe tal que
O valor médio é . Está entre o mínimo e o máximo, e a continuidade garante que o atinge. Para em , o valor médio é e podemos escolher .
Na versão ponderada, se é integrável e não muda de sinal, existe com . Se , o quociente é a média ponderada. Sem a condição de sinal, esta conclusão pode falhar.
Teoremas fundamentais do cálculo
Se é contínua e , então . O incremento de é a área numa faixa pequena. Dividindo pela largura, a média de nessa faixa tende para .
Se e é contínua em , o segundo teorema dá
É a fórmula de Newton-Leibniz. Para , a primitiva dá , de acordo com a soma de Riemann.
Com limites variáveis, aplica a cadeia. Se é contínua e são deriváveis,
Para , não precisamos de uma primitiva elementar:
A variável é muda, serve apenas para integrar. Esta fórmula pressupõe que o integrando não depende também de . Uma expressão como exige tratar essa dependência adicional.
Recuperar uma função de uma identidade integral
Se uma função contínua satisfaz num intervalo que contém , o teorema fundamental dá . Mas a identidade original exige também , porque o integral com limites iguais é zero.
Por exemplo, em , substituir dá . Derivar dá
Esta função é contínua e tem primitiva , por isso . Confirmámos a identidade, não apenas a sua derivada. Se , a mesma derivação produziria a mesma candidata, mas nenhuma função poderia satisfazer a igualdade inicial.