Valores e vetores próprios e diagonalização

Polinómio característico, cálculo de valores e vetores próprios, diagonalização e matrizes simétricas.

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Alguns vetores não nulos são enviados para um múltiplo de si próprios. São os vetores próprios, e o fator é o valor próprio.

Um fator negativo inverte o sentido. Um fator zero envia o vetor para a origem.

Se houver uma base destes vetores, a matriz da transformação nessa base é diagonal. Cada direção é apenas multiplicada por um escalar: pode esticar, encolher, inverter o sentido ou ser anulada.

Definição

Trabalhamos sobre R\mathbb R: procuramos valores e vetores próprios reais. Seja AA real, quadrada de ordem nn. Um escalar λ\lambda é um valor próprio e um vetor não nulo vv é um vetor próprio associado quando

Av=λv.Av = \lambda v.

Repara nas duas exigências: v≠0v \neq 0 (o vetor nulo satisfaz a equação para qualquer λ\lambda, por isso está excluído) e a igualdade é exata, não aproximada.

Para encontrar λ\lambda, reescreve-se como (A−λI)v=0(A - \lambda I)v = 0. Como v≠0v \neq 0, o sistema homogéneo tem de ter soluções não triviais, o que acontece exatamente quando

det⁡(A−λI)=0.\det(A - \lambda I) = 0.

O primeiro membro é um polinómio de grau nn em λ\lambda, o polinómio característico. Aqui usamos a convenção pA(λ)=det⁡(A−λI)p_A(\lambda)=\det(A-\lambda I). Também é comum usar det⁡(λI−A)\det(\lambda I-A); os polinómios diferem pelo fator (−1)n(-1)^n e têm as mesmas raízes.

Para cada valor próprio, resolvemos (A−λI)v=0(A-\lambda I)v=0. O espaço próprio é Eλ=ker⁡(A−λI)E_\lambda=\ker(A-\lambda I) e inclui o vetor zero. Os vetores próprios são os elementos não nulos desse espaço.

Polinómio característico e espaços próprios

Seja A=[4123]A = \begin{bmatrix} 4 & 1 \\ 2 & 3 \end{bmatrix}. Então

A−λI=[4−λ123−λ],A - \lambda I = \begin{bmatrix} 4 - \lambda & 1 \\ 2 & 3 - \lambda \end{bmatrix}, det⁡(A−λI)=(4−λ)(3−λ)−2=λ2−7λ+10=(λ−5)(λ−2).\det(A - \lambda I) = (4 - \lambda)(3 - \lambda) - 2 = \lambda^2 - 7\lambda + 10 = (\lambda - 5)(\lambda - 2).

Os valores próprios são λ1=5\lambda_1 = 5 e λ2=2\lambda_2 = 2.

Para λ1=5\lambda_1 = 5, [−112−2][xy]=0\begin{bmatrix} -1 & 1 \\ 2 & -2 \end{bmatrix}\begin{bmatrix} x \\ y \end{bmatrix} = 0 dá −x+y=0-x + y = 0 (a segunda equação é redundante), logo y=xy = x.

Os vetores próprios são os múltiplos não nulos de (1,1)(1, 1). Confirma com A(1,1)=(5,5)=5(1,1)A(1,1) = (5, 5) = 5(1,1).

Para λ2=2\lambda_2 = 2, [2121][xy]=0\begin{bmatrix} 2 & 1 \\ 2 & 1 \end{bmatrix}\begin{bmatrix} x \\ y \end{bmatrix} = 0 dá 2x+y=02x + y = 0.

Logo os vetores próprios são os múltiplos não nulos de (1,−2)(1, -2). Confirma com A(1,−2)=(4−2,2−6)=(2,−4)=2(1,−2)A(1,-2) = (4 - 2, 2 - 6) = (2, -4) = 2(1,-2).

Os dois vetores próprios definem os eixos naturais da matriz: ao longo de cada um, AA multiplica por um escalar (5 e 2 esticam com fatores diferentes). Na animação, o vetor original fica a tracejado e a sua imagem aparece a cheio. Compara as pontas: (1,1)(1,1) e (5,5)(5,5) ficam na reta y=xy=x; (1,−2)(1,-2) e (2,−4)(2,-4) ficam na reta y=−2xy=-2x.

Direções que a matriz conserva. A matriz envia (1, 1) para (5, 5) e (1, menos 2) para (2, menos 4), conservando a reta de cada vetor. Já (1, 0) vai para (4, 2), fora da reta horizontal. Os originais ficam a tracejado; as imagens são setas a cheio com coordenadas.

O terceiro vetor não é próprio: A(1,0)=(4,2)A(1,0)=(4,2) não é múltiplo de (1,0)(1,0), porque tem segunda coordenada diferente de zero. Cada caso mostra uma só aplicação de AA. O movimento compara o original com a imagem, sem representar evoluções sucessivas.

Diagonalização

Se conseguires uma base de vetores próprios, a matriz da aplicação nessa base é diagonal, com os valores próprios na diagonal. Em forma matricial: se PP tem como colunas os vetores próprios (pela ordem dos valores λ1,…,λn\lambda_1, \dots, \lambda_n), então

P−1AP=D=[λ1⋱λn].P^{-1}AP = D = \begin{bmatrix} \lambda_1 & & \\ & \ddots & \\ & & \lambda_n \end{bmatrix}.

Com o exemplo, P=[111−2]P = \begin{bmatrix} 1 & 1 \\ 1 & -2 \end{bmatrix} e D=[5002]D = \begin{bmatrix} 5 & 0 \\ 0 & 2 \end{bmatrix}. Verifica a igualdade AP=PDAP = PD (que evita inverter PP): a coluna jj de APAP é Apj=λjpjAp_j=\lambda_jp_j, que é a coluna jj de PDPD. É daqui que sai a igualdade: AP=[525−4]AP = \begin{bmatrix} 5 & 2 \\ 5 & -4 \end{bmatrix} e PD=[525−4]PD = \begin{bmatrix} 5 & 2 \\ 5 & -4 \end{bmatrix}. Iguais. A matriz é diagonalizável.

A ordem das colunas de PP fixa a ordem da diagonal de DD. Se trocares as colunas, com P′=[11−21]P'=\begin{bmatrix}1&1\\-2&1\end{bmatrix}, a diagonal correspondente é D′=diag⁡(2,5)D'=\operatorname{diag}(2,5), e confirma-se AP′=P′D′=[25−45]AP'=P'D'=\begin{bmatrix}2&5\\-4&5\end{bmatrix}. Manter DD com a ordem antiga depois de trocar PP é um erro frequente: verifica sempre AP=PDAP=PD com as duas matrizes que vais usar.

Isto nem sempre é possível. Há duas causas de falha: o polinómio característico pode não ter raízes reais suficientes (sobre R\mathbb{R}, uma rotação de 90∘90^\circ não tem valores próprios reais), ou pode haver um valor próprio cuja multiplicidade como raiz exceda a dimensão do seu espaço próprio. Vetores próprios associados a valores próprios distintos são sempre independentes, por isso uma matriz n×nn \times n com nn valores próprios distintos é garantidamente diagonalizável.

A rotação de 90∘90^\circ tem matriz R=[0−110]R=\begin{bmatrix}0&-1\\1&0\end{bmatrix}. O polinómio det⁡(R−λI)=λ2+1\det(R-\lambda I)=\lambda^2+1 não se anula para nenhum real: faltam raízes reais, um impedimento diferente da falta de vetores independentes para uma raiz repetida.

A diagonalização simplifica potências, com kk inteiro não negativo: Ak=PDkP−1A^k = PD^kP^{-1}, porque os fatores intermédios cancelam (A2=PDP−1PDP−1=PD2P−1A^2=PDP^{-1}PDP^{-1}=PD^2P^{-1}), e DkD^k calcula-se elevando cada entrada da diagonal. É assim que se estudam evoluções iteradas (potências de matrizes de transição, recorrências) sem multiplicar matrizes dezenas de vezes.

Multiplicidades e falhas de diagonalização

A multiplicidade algébrica de λ\lambda é o número de vezes que aparece como raiz de pAp_A. A multiplicidade geométrica é dim⁡Eλ\dim E_\lambda. Para um valor próprio,

1≤mg(λ)≤ma(λ).1\leq m_g(\lambda)\leq m_a(\lambda).

A matriz é diagonalizável sobre R\mathbb R se o polinómio tiver todas as raízes reais, contando multiplicidades, e mg(λ)=ma(λ)m_g(\lambda)=m_a(\lambda) para cada uma. Equivalentemente, a soma das dimensões dos espaços próprios distintos tem de ser nn.

Com J=[2102]J=\begin{bmatrix}2&1\\0&2\end{bmatrix}, o polinómio é (2−λ)2(2-\lambda)^2. Mas

J−2I=[0100]⟹E2={(x,0):x∈R}.J-2I=\begin{bmatrix}0&1\\0&0\end{bmatrix} \quad\Longrightarrow\quad E_2=\{(x,0):x\in\mathbb R\}.

Temos ma(2)=2m_a(2)=2 e mg(2)=1m_g(2)=1. Só há uma direção própria, por isso JJ não diagonaliza. Já 2I2I tem o mesmo polinómio e E2=R2E_2=\mathbb R^2, logo diagonaliza. Valores próprios repetidos não decidem a questão sem estudar os espaços próprios.

Numa matriz triangular, os valores próprios são as entradas da diagonal, mas a matriz não é necessariamente diagonalizável. Para At=[2t0020003]A_t=\begin{bmatrix}2&t&0\\0&2&0\\0&0&3\end{bmatrix}, o espaço E2E_2 tem dimensão 2 quando t=0t=0 e dimensão 1 quando t≠0t\ne0. A diagonalização só é possível no primeiro caso.

Confirmar o polinómio e as potências

Para a convenção pA(λ)=det⁡(A−λI)p_A(\lambda)=\det(A-\lambda I), o coeficiente de λn\lambda^n é (−1)n(-1)^n e o termo constante é det⁡A\det A. A soma dos valores próprios, contando multiplicidades, é tr⁡A\operatorname{tr}A e o produto é det⁡A\det A.

No exemplo principal, 5+2=75+2=7 coincide com o traço e 5⋅2=105\cdot2=10 coincide com o determinante. Estas verificações ajudam a detetar erros de sinal, mas não substituem o cálculo dos espaços próprios.

Com a matriz PP do exemplo,

P−1=13[211−1],Ak=13[2⋅5k+2k5k−2k2⋅5k−2⋅2k5k+2⋅2k].P^{-1}=\frac13\begin{bmatrix}2&1\\1&-1\end{bmatrix}, \qquad A^k=\frac13 \begin{bmatrix} 2\cdot5^k+2^k&5^k-2^k\\ 2\cdot5^k-2\cdot2^k&5^k+2\cdot2^k \end{bmatrix}.

Para k=0k=0 obtemos II e para k=1k=1 obtemos AA: confirma com (2⋅5+2)/3=4(2\cdot5+2)/3=4, (5−2)/3=1(5-2)/3=1, (2⋅5−2⋅2)/3=2(2\cdot5-2\cdot2)/3=2 e (5+2⋅2)/3=3(5+2\cdot2)/3=3.

Para expoentes negativos, esta expressão exige que todos os valores próprios sejam não nulos.

Reconstruir a aplicação a partir dos espaços próprios

Conhecer uma base de vetores próprios e os respetivos valores determina a aplicação, mesmo sem conhecer a matriz. Considera T:R3→R3T:\mathbb R^3\to\mathbb R^3 com

E−2=span⁡(e1,e2),E7=span⁡((1,1,1)).E_{-2}=\operatorname{span}(e_1,e_2),\qquad E_7=\operatorname{span}((1,1,1)).

Estes três vetores formam uma base: a terceira coordenada de uma combinação nula anula primeiro o coeficiente de (1,1,1)(1,1,1), depois ficam os dois versores independentes. Decompõe o argumento nessa base:

(x,y,z)=(x−z)e1+(y−z)e2+z(1,1,1).(x,y,z)=(x-z)e_1+(y-z)e_2+z(1,1,1).

Aplicar TT multiplica cada parcela pelo seu valor próprio:

T(x,y,z)=−2(x−z)e1−2(y−z)e2+7z(1,1,1).T(x,y,z)=-2(x-z)e_1-2(y-z)e_2+7z(1,1,1).

Portanto,

T(x,y,z)=(−2x+9z,−2y+9z,7z).T(x,y,z)=(-2x+9z,-2y+9z,7z).

Substituir e1,e2,(1,1,1)e_1,e_2,(1,1,1) confirma os dados. A matriz canónica é triangular, mas chegámos à lei pela decomposição em direções próprias, sem calcular um determinante.

Diagonalização de potências e o recíproco

Se TT tem uma base própria (v1,…,vn)(v_1,\ldots,v_n), com T(vi)=λiviT(v_i)=\lambda_i v_i, então

(T∘T)(vi)=T(λivi)=λi2vi.(T\circ T)(v_i)=T(\lambda_i v_i)=\lambda_i^2v_i.

A mesma base diagonaliza T∘TT\circ T. Isto continua a valer se dois valores diferentes passarem a ter o mesmo quadrado: a base não perde independência porque mudaram os fatores. Por exemplo, os fatores −2-2 e 22 passam ambos a 4.

O recíproco é falso. Para N=[0100]N=\begin{bmatrix}0&1\\0&0\end{bmatrix}, o único valor próprio é 0 e o espaço próprio é a reta y=0y=0, por isso NN não diagonaliza. Mas N2=0N^2=0 é diagonal. Saber que uma potência diagonaliza não garante que a matriz original diagonalize.

Matrizes simétricas e o teorema espectral

Uma matriz real simétrica (AT=AA^T = A) é sempre diagonalizável, com valores próprios reais e vetores próprios de valores distintos automaticamente ortogonais. É o teorema espectral: existe uma base ortonormada de vetores próprios, e a matriz de passagem pode ser escolhida ortogonal (P−1=PTP^{-1} = P^T).

Vê com S=[2112]S = \begin{bmatrix} 2 & 1 \\ 1 & 2 \end{bmatrix} (a matriz da página de mudanças de base). O polinómio característico é (2−λ)2−1=λ2−4λ+3=(λ−3)(λ−1)(2-\lambda)^2 - 1 = \lambda^2 - 4\lambda + 3 = (\lambda - 3)(\lambda - 1). Para λ=3\lambda = 3: −x+y=0-x + y = 0, vetor (1,1)(1, 1). Para λ=1\lambda = 1: x+y=0x + y = 0, vetor (1,−1)(1, -1). Os dois vetores são ortogonais ((1,1)⋅(1,−1)=0(1,1) \cdot (1,-1) = 0), como o teorema promete, e normalizando obténs a base ortonormada {(1/2,1/2),(1/2,−1/2)}\{(1/\sqrt{2}, 1/\sqrt{2}), (1/\sqrt{2}, -1/\sqrt{2})\}.

Ver com outros olhos

A aplicação desta mudança ortonormada a equações de segundo grau está em Formas quadráticas.

Se a dúvida é que direções uma transformação deixa quietas, vê este vídeo e procura as direções que a transformação apenas estica ou inverte:

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O que costuma correr mal

  • Aceitar o vetor nulo como vetor próprio, ou apresentar “vetores próprios” sem verificar Av=λvAv = \lambda v no fim.
  • Resolver det⁡(A−λI)=0\det(A-\lambda I)=0 com erros de sinal. Nesta convenção, o termo constante é det⁡A\det A e o coeficiente dominante é (−1)n(-1)^n.
  • Assumir que qualquer matriz diagonaliza. Testa sempre se tens nn vetores próprios independentes antes de escrever P−1AP=DP^{-1}AP = D.
  • Montar PP com os vetores por ordem e DD com os valores por outra ordem. A coluna jj de PP tem de corresponder à posição jj da diagonal de DD.
  • Substituir P−1P^{-1} por PTP^T sem teres uma base ortonormada. Essa igualdade exige colunas ortonormadas. Dentro de um espaço próprio de dimensão maior que 1, os vetores calculados podem não ser ortogonais e precisam de Gram-Schmidt antes da normalização.
  • Em matrizes simétricas, esquecer que a ortogonalidade entre espaços próprios distintos é garantida, mas vetores dentro do mesmo espaço próprio ainda precisam de ser ortogonalizados se quiseres uma base ortonormada.

Exercícios

Potência por diagonalização

Para A=[3012]A=\begin{bmatrix}3&0\\1&2\end{bmatrix}, diagonaliza e calcula a entrada (2,1)(2,1) de A4A^4.

Pista

Usa (1,1) para o valor 3 e (0,1) para 2.

Mais uma pista

Em AkA^k, a entrada pedida é 3k−2k3^k-2^k.

Solução

Os vetores (1,1)(1,1) e (0,1)(0,1) satisfazem A(1,1)=3(1,1)A(1,1)=3(1,1) e A(0,1)=2(0,1)A(0,1)=2(0,1). Com P=[1011]P=\begin{bmatrix}1&0\\1&1\end{bmatrix}, det⁡P=1\det P=1 e P−1=[10−11]P^{-1}=\begin{bmatrix}1&0\\-1&1\end{bmatrix}; confirma AP=PD=[3032]AP=PD=\begin{bmatrix}3&0\\3&2\end{bmatrix}. Portanto Ak=PDkP−1=[3k03k−2k2k]A^k=PD^kP^{-1}=\begin{bmatrix}3^k&0\\3^k-2^k&2^k\end{bmatrix}. A entrada pedida é 81−16=6581-16=65. Elevar a diagonal DD, não cada entrada de AA, e manter a ordem PDkP−1PD^kP^{-1} é o que produz o termo 3k−2k3^k-2^k.

Confere a tua resposta:

  • Obtém PP, DD e P−1P^{-1} e confirma AP=PDAP=PD.
  • Calcula A4=PD4P−1A^4=PD^4P^{-1} e lê a entrada (2,1)(2,1).

Erros frequentes

Eleva a diagonal DD, não cada entrada de AA. Mantém a ordem PDkP−1PD^kP^{-1}.

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Um valor repetido pode diagonalizar

Para A=[201020003]A=\begin{bmatrix}2&0&1\\0&2&0\\0&0&3\end{bmatrix}, calcula os espaços próprios e decide se diagonaliza sobre R\mathbb R. Se diagonalizar, indica PP e DD e verifica AP=PDAP=PD.

Pista

O valor próprio 2 aparece duas vezes na diagonal. Calcula a dimensão do espaço próprio, em vez de decidir só pela repetição.

Mais uma pista

Para o valor 2, fica z=0z=0. Para o valor 3, fica z=xz=x e y=0y=0.

Solução

E2={(x,y,0):x,y∈R}E_2=\{(x,y,0):x,y\in\mathbb R\} tem base (e1,e2)(e_1,e_2) e dimensão 2. E3=span⁡((1,0,1))E_3=\operatorname{span}((1,0,1)) tem dimensão 1. Há três vetores próprios independentes, logo a matriz diagonaliza. Uma escolha é

P=[101010001],D=diag⁡(2,2,3).P=\begin{bmatrix}1&0&1\\0&1&0\\0&0&1\end{bmatrix},\qquad D=\operatorname{diag}(2,2,3).

Temos det⁡P=1\det P=1 e AP=PD=[203020003]AP=PD=\begin{bmatrix}2&0&3\\0&2&0\\0&0&3\end{bmatrix}. A raiz repetida tem multiplicidade geométrica igual à algébrica.

Confere a tua resposta:

  • Obtém os dois espaços próprios e uma base própria.
  • Confirma AP=PD com P invertível.

Erros frequentes

Valores próprios distintos são suficientes para diagonalizar, mas não são necessários. Uma entrada fora da diagonal também não impede a diagonalização.

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Constante e coeficiente dominante

Para A=diag⁡(1,2,3)A=\operatorname{diag}(1,2,3), expande pA(λ)=det⁡(A−λI)p_A(\lambda)=\det(A-\lambda I) e identifica a constante e o coeficiente de λ3\lambda^3.

Pista

Conserva a convenção pedida.

Mais uma pista

Expande (1-λ)(2-λ)(3-λ).

Solução

pA=−λ3+6λ2−11λ+6p_A=-\lambda^3+6\lambda^2-11\lambda+6. A constante é det⁡A=6\det A=6 e o coeficiente dominante é (−1)3=−1(-1)^3=-1. A convenção det⁡(λI−A)\det(\lambda I-A) troca o sinal do polinómio nesta dimensão.

Confere a tua resposta:

  • Expande corretamente.
  • Distingue os dois coeficientes.

Erros frequentes

A definição usa A−λIA-\lambda I. Em ordem 3, trocar para λI−A\lambda I-A muda o sinal de todo o polinómio.

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Mesmo polinómio, diagonalizações diferentes

Seja At=[2t0020003]A_t=\begin{bmatrix}2&t&0\\0&2&0\\0&0&3\end{bmatrix}. Calcula o polinómio característico, os espaços próprios e os valores de tt para os quais AtA_t diagonaliza. Para kk inteiro com k≥1k\geq1, encontra AtkA_t^k, incluindo os casos que não diagonalizam.

Pista

Para o valor próprio repetido, conta os vetores independentes do espaço próprio.

Mais uma pista

No bloco 2×22\times2, escreve 2I+N2I+N, com N=[0t00]N=\begin{bmatrix}0&t\\0&0\end{bmatrix} e N2=0N^2=0.

Solução

Sendo triangular,

pAt(λ)=(2−λ)2(3−λ).p_{A_t}(\lambda)=(2-\lambda)^2(3-\lambda).

Para λ=2\lambda=2, as equações são ty=0ty=0 e z=0z=0. Se t=0t=0, o espaço tem base (e1,e2)(e_1,e_2) e dimensão 2. Se t≠0t\ne0, tem apenas base (e1)(e_1) e dimensão 1. Para λ=3\lambda=3, a base é (e3)(e_3) em todos os casos. Portanto, AtA_t diagonaliza exatamente quando t=0t=0.

Como 2I2I comuta com NN e N2=0N^2=0, a expansão do binómio tem só dois termos:

(2I+N)k=2kI+k2k−1N.(2I+N)^k=2^kI+k2^{k-1}N.

Assim,

Atk=[2kk2k−1t002k0003k].A_t^k=\begin{bmatrix}2^k&k2^{k-1}t&0\\0&2^k&0\\0&0&3^k\end{bmatrix}.

Para k=0k=0, a potência é a identidade. O determinante 12 e o traço 7 não variam com tt, mas a dimensão do espaço próprio varia: conhecer apenas os valores próprios não decide diagonalização.

Confere a tua resposta:

  • Calcula a multiplicidade geométrica para cada caso do parâmetro.
  • Obtém a potência justificando por que os termos seguintes do binómio desaparecem.

Erros frequentes

Ter todos os valores próprios reais não basta. O valor 2 tem multiplicidade algébrica 2, mas só uma direção própria quando t≠0t\ne0.

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Uma lei dada por espaços próprios

Um endomorfismo TT de R3\mathbb R^3 tem E−2=span⁡(e1,e2)E_{-2}=\operatorname{span}(e_1,e_2) e E7=span⁡((1,1,1))E_7=\operatorname{span}((1,1,1)). Determina T(x,y,z)T(x,y,z), o núcleo e a imagem. Verifica que a lei tem exatamente os espaços próprios indicados.

Pista

Decompõe (x,y,z)(x,y,z) em e1,e2,(1,1,1)e_1,e_2,(1,1,1) antes de aplicar os fatores próprios.

Solução

A decomposição é (x−z)e1+(y−z)e2+z(1,1,1)(x-z)e_1+(y-z)e_2+z(1,1,1). Multiplicando por −2,−2,7-2,-2,7, respetivamente, obtemos

T(x,y,z)=(−2x+9z,−2y+9z,7z).T(x,y,z)=(-2x+9z,-2y+9z,7z).

Para verificar E−2E_{-2}, resolve T(x,y,z)=−2(x,y,z)T(x,y,z)=-2(x,y,z). A terceira coordenada dá 9z=09z=0; as outras ficam satisfeitas com z=0z=0. Portanto, esse espaço é exatamente o plano z=0z=0.

Para E7E_7, as duas primeiras coordenadas dão x=z,y=zx=z,y=z e a terceira não acrescenta uma condição. É exatamente a reta x=y=zx=y=z.

Os três vetores da base própria são independentes e os valores próprios são não nulos. Na base própria, a matriz é diag⁡(−2,−2,7)\operatorname{diag}(-2,-2,7), invertível. Logo ker⁡T={0}\ker T=\{0\} e Im⁡T=R3\operatorname{Im}T=\mathbb R^3.

Confere a tua resposta:

  • Decompõe o argumento numa base própria e obtém a lei.
  • Verifica os espaços próprios completos e identifica núcleo e imagem.
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Uma composta diagonalizável

Prova que, se um endomorfismo de R3\mathbb R^3 diagonaliza, a sua composta consigo próprio também diagonaliza. O recíproco é verdadeiro? Para o testar, estuda S(x,y,z)=(y,0,z)S(x,y,z)=(y,0,z) e S∘SS\circ S.

Pista

Aplica duas vezes o endomorfismo a cada vetor de uma base própria. No exemplo, compara as dimensões dos espaços próprios de SS com a dimensão do domínio.

Solução

Se (v1,v2,v3)(v_1,v_2,v_3) é uma base própria de TT, então T(vi)=λiviT(v_i)=\lambda_i v_i e

(T∘T)(vi)=λi2vi.(T\circ T)(v_i)=\lambda_i^2v_i.

A mesma família continua independente e é uma base própria da composta. Mesmo que λi=−λj\lambda_i=-\lambda_j, os valores ao quadrado coincidirem não altera a base.

A matriz canónica de SS é

A=[010000001].A=\begin{bmatrix}0&1&0\\0&0&0\\0&0&1\end{bmatrix}.

O polinómio é λ2(1−λ)\lambda^2(1-\lambda). Para 0, o sistema dá y=z=0y=z=0, logo E0=span⁡(e1)E_0=\operatorname{span}(e_1) tem dimensão 1, menor que a multiplicidade algébrica 2. Para 1, o espaço é span⁡(e3)\operatorname{span}(e_3). Não há três direções próprias independentes e SS não diagonaliza.

Mas (S∘S)(x,y,z)=(0,0,z)(S\circ S)(x,y,z)=(0,0,z) tem matriz diag⁡(0,0,1)\operatorname{diag}(0,0,1), que já é diagonal. Este exemplo refuta o recíproco.

Confere a tua resposta:

  • Prova a implicação com a mesma base própria, incluindo valores que passam a ter quadrados iguais.
  • Usa o endomorfismo dado para refutar o recíproco, calculando os espaços próprios.
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