Determinantes

Definição, propriedades, regra de Laplace, matriz adjunta, regra de Cramer e o determinante como área e volume.

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A matriz C=[2113]C=\begin{bmatrix}2&1\\1&3\end{bmatrix} da lição de matrizes tem inversa porque 2⋅3−1⋅1=5≠02\cdot3-1\cdot1=5\ne0.

Este número é o seu determinante. Para uma matriz quadrada, um determinante não nulo garante invertibilidade. O módulo mede também o fator de escala de áreas ou volumes.

Definição para ordens 2 e 3

Para uma matriz 2×22 \times 2, o determinante é a diferença dos produtos das diagonais:

det⁡[abcd]=ad−bc.\det \begin{bmatrix} a & b \\ c & d \end{bmatrix} = ad - bc.

Por exemplo, det⁡[2113]=2⋅3−1⋅1=5\det \begin{bmatrix} 2 & 1 \\ 1 & 3 \end{bmatrix} = 2 \cdot 3 - 1 \cdot 1 = 5, o número que já usámos na fórmula da inversa.

Para ordem 3, uma forma prática é a regra de Sarrus: repete as duas primeiras colunas à direita e soma os produtos das três diagonais descendentes, subtraindo os produtos das três diagonais ascendentes. Para

A=[123014560],A = \begin{bmatrix} 1 & 2 & 3 \\ 0 & 1 & 4 \\ 5 & 6 & 0 \end{bmatrix},

as descendentes dão 1⋅1⋅0+2⋅4⋅5+3⋅0⋅6=401 \cdot 1 \cdot 0 + 2 \cdot 4 \cdot 5 + 3 \cdot 0 \cdot 6 = 40 e as ascendentes dão 3⋅1⋅5+1⋅4⋅6+2⋅0⋅0=393 \cdot 1 \cdot 5 + 1 \cdot 4 \cdot 6 + 2 \cdot 0 \cdot 0 = 39.

Logo det⁡A=40−39=1\det A = 40 - 39 = 1.

Atenção: Sarrus só funciona para ordem 3. Para ordens maiores (ou para demonstrar propriedades), usa-se a definição geral por regra de Laplace, que expande o determinante ao longo de uma linha ou coluna (ver abaixo).

Propriedades que poupam trabalho

Estas regras valem para matrizes quadradas reais de ordem positiva. Nos produtos, AA e BB têm a mesma ordem:

  • det⁡In=1\det I_n = 1 e det⁡0=0\det 0 = 0.
  • Trocar duas linhas (ou colunas) troca o sinal do determinante.
  • Multiplicar uma linha por kk multiplica o determinante por kk. Consequência muito usada: det⁡(kA)=kndet⁡A\det(kA) = k^n \det A para matrizes de ordem nn.
  • Somar a uma linha um múltiplo de outra não altera o determinante. É a autorização para triangular a matriz antes de calcular.
  • Uma matriz com uma linha nula, com duas linhas iguais ou com uma linha combinação linear das outras tem determinante zero.
  • det⁡(AT)=det⁡A\det(A^T) = \det A e det⁡(AB)=det⁡A⋅det⁡B\det(AB) = \det A \cdot \det B.1
  • AA é invertível exatamente quando det⁡A≠0\det A \neq 0, e nesse caso det⁡(A−1)=1/det⁡A\det(A^{-1}) = 1 / \det A.

A estratégia habitual para um determinante 3×33 \times 3 cheio de números é criar zeros com operações do tipo “somar um múltiplo de outra linha” e só depois expandir ou aplicar Sarrus. Cada zero elimina uma parcela.

Regra de Laplace e matriz adjunta

Escolhe uma linha ou coluna. Para cada entrada aija_{ij}, risca a sua linha e coluna:

  • o que resta é a submatriz MijM_{ij};
  • o seu determinante det⁡Mij\det M_{ij} chama-se menor;
  • o cofator é Cij=(−1)i+jdet⁡MijC_{ij} = (-1)^{i+j} \det M_{ij}, com o sinal do tabuleiro de xadrez +−+−+−+−+\begin{smallmatrix} + & - & + \\ - & + & - \\ + & - & + \end{smallmatrix}.

O determinante é a soma dos produtos das entradas pelos respetivos cofatores:

det⁡A=ai1Ci1+ai2Ci2+⋯+ainCin.\det A = a_{i1}C_{i1} + a_{i2}C_{i2} + \dots + a_{in}C_{in}.

Vê com a matriz AA acima, expandindo pela primeira coluna (que tem um zero simpático em a21=0a_{21} = 0):

det⁡A=1⋅det⁡[1460]−0⋅(… )+5⋅(−1)3+1det⁡[2314].\det A = 1 \cdot \det\begin{bmatrix} 1 & 4 \\ 6 & 0 \end{bmatrix} - 0 \cdot (\dots) + 5 \cdot (-1)^{3+1}\det\begin{bmatrix} 2 & 3 \\ 1 & 4 \end{bmatrix}.

Isto dá 1⋅(0−24)+5⋅(8−3)=−24+25=11 \cdot (0 - 24) + 5 \cdot (8 - 3) = -24 + 25 = 1.

Confirma o valor obtido por Sarrus. Uma linha ou coluna com mais zeros costuma reduzir a conta: cada zero elimina uma parcela inteira da expansão.

A matriz dos cofatores, transposta, chama-se matriz adjunta, adj⁡(A)\operatorname{adj}(A), e dá a inversa de qualquer matriz invertível:

A−1=1det⁡Aadj⁡(A).A^{-1} = \frac{1}{\det A}\operatorname{adj}(A).

Para 2×22 \times 2 isto reproduz a fórmula 1ad−bc[d−b−ca]\frac{1}{ad-bc}\begin{bmatrix} d & -b \\ -c & a \end{bmatrix} da página de matrizes. Para 3×33 \times 3 a adjunta já dá bastante trabalho, por isso nos exercícios o método de Gauss-Jordan costuma ser mais rápido para inverter; a adjunta é sobretudo uma ferramenta teórica.

Uma propriedade que permite confirmar a adjunta é

Aadj⁡(A)=adj⁡(A)A=(det⁡A)I.A\operatorname{adj}(A)=\operatorname{adj}(A)A=(\det A)I.

Na matriz AA do exemplo, a matriz dos cofatores é

C=[−2420−518−1545−41].C=\begin{bmatrix}-24&20&-5\\18&-15&4\\5&-4&1\end{bmatrix}.

Como det⁡A=1\det A=1, a inversa é a transposta desta matriz:

A−1=CT=[−2418520−15−4−541].A^{-1}=C^T=\begin{bmatrix}-24&18&5\\20&-15&-4\\-5&4&1\end{bmatrix}.

Por exemplo, a entrada (1,1)(1,1) de AA−1AA^{-1} é −24+40−15=1-24+40-15=1, e a entrada (1,2)(1,2) é 18−30+12=018-30+12=0. Os cofatores sem transposição não dariam a inversa.

Regra de Cramer

Se AX=BAX = B tem matriz quadrada com det⁡A≠0\det A \neq 0, cada incógnita obtém-se por um quociente de determinantes: xjx_j é o determinante da matriz que resulta de substituir a coluna jj de AA pela coluna BB, a dividir por det⁡A\det A.

Exemplo: {2x+y=7x+3y=11\begin{cases} 2x + y = 7 \\ x + 3y = 11 \end{cases}. O determinante do sistema é 2⋅3−1⋅1=52 \cdot 3 - 1 \cdot 1 = 5. Então

x=det⁡[71113]5=21−115=2,y=det⁡[27111]5=22−75=3.x = \frac{\det\begin{bmatrix} 7 & 1 \\ 11 & 3 \end{bmatrix}}{5} = \frac{21 - 11}{5} = 2, \qquad y = \frac{\det\begin{bmatrix} 2 & 7 \\ 1 & 11 \end{bmatrix}}{5} = \frac{22 - 7}{5} = 3.

Cramer é elegante, mas só se aplica a sistemas quadrados com determinante não nulo e o custo cresce depressa: para um 3×33 \times 3 precisas de quatro determinantes. Na prática, Gauss resolve mais depressa; Cramer brilha quando só precisas de uma incógnita ou quando os coeficientes dependem de um parâmetro.

Determinante por eliminação

Para triangular por eliminação, considera

B=[021110234].B=\begin{bmatrix}0&2&1\\1&1&0\\2&3&4\end{bmatrix}.

Trocamos L1L_1 com L2L_2, fazemos L3←L3−2L1L_3\leftarrow L_3-2L_1 e, depois, L3←L3−12L2L_3\leftarrow L_3-\frac12L_2:

B ⟶ [110021014] ⟶ [110021007/2].B\ \longrightarrow\ \begin{bmatrix}1&1&0\\0&2&1\\0&1&4\end{bmatrix} \ \longrightarrow\ \begin{bmatrix}1&1&0\\0&2&1\\0&0&7/2\end{bmatrix}.

A triangular tem determinante 1⋅2⋅7/2=71\cdot2\cdot7/2=7. Houve uma troca de linhas, por isso det⁡B=−7\det B=-7. As somas de múltiplos não alteraram o determinante. Se também multiplicasses uma linha por um escalar, terias de registar esse fator.

Para estudar invertibilidade com um parâmetro, mantém a expressão do determinante fatorizada. Por exemplo,

Ak=[1111k111k],det⁡Ak=(k−1)2.A_k=\begin{bmatrix}1&1&1\\1&k&1\\1&1&k\end{bmatrix}, \qquad \det A_k=(k-1)^2.

Subtrair a primeira linha às outras duas produz uma triangular com diagonal 1,k−1,k−11,k-1,k-1. A matriz é invertível exatamente quando k≠1k\ne1. Se k=1k=1, todas as linhas coincidem e a característica é 1, não 2.

O determinante como área e volume

Em R2\mathbb{R}^2, o módulo do determinante 2×22 \times 2 é a área do paralelogramo definido pelos dois vetores coluna (ou linha). Os vetores (2,0)(2, 0) e (1,3)(1, 3) definem um paralelogramo de área ∣2⋅3−0⋅1∣=6|2 \cdot 3 - 0 \cdot 1| = 6:

Em R3\mathbb{R}^3, o módulo do determinante 3×33 \times 3 é o volume do paralelepípedo definido pelos três vetores. O sinal também tem significado: diz se a orientação dos vetores é preservada ou invertida.

Isto explica por que det⁡A=0\det A = 0 significa matriz não invertível: as colunas são linearmente dependentes (vais ver o que isto quer dizer na página de espaços vetoriais), por isso “achatam” o espaço e o volume colapsa para zero.

Uma matriz com determinante nulo não consegue ser bijetiva, logo não tem inversa.

O que costuma correr mal

  • Aplicar Sarrus a matrizes de ordem 4 ou mais. Não existe Sarrus para n≥4n \geq 4: usa Laplace ou triangularização.
  • Errar os sinais dos cofatores, sobretudo esquecer o (−1)i+j(-1)^{i+j} nas posições ímpares.
  • Pensar que det⁡(A+B)=det⁡A+det⁡B\det(A + B) = \det A + \det B. É falso; o determinante não é linear na soma de matrizes.
  • Usar Cramer quando o determinante do sistema é zero, ou quando o sistema nem sequer é quadrado.
  • Confundir det⁡(kA)=kndet⁡A\det(kA) = k^n \det A com kdet⁡Ak \det A para matrizes de ordem n>1n > 1.

Notas de rodapé

  1. Esta igualdade é a razão geométrica por trás de tudo: aplicar BB e depois AA multiplica volumes por ∣det⁡B∣|\det B| e ∣det⁡A∣|\det A|. O sinal do determinante regista a orientação. Em particular, det⁡(A2)=(det⁡A)2≥0\det(A^2) = (\det A)^2 \geq 0. Voltar

Exercícios

Cramer e um determinante nulo

No sistema kx+y=3kx+y=3, 2x+y=32x+y=3, com k∈Rk\in\mathbb R, calcula xx por Cramer nos casos em que a regra se aplica. Estuda separadamente o valor excluído e escreve todas as soluções nesse caso.

Pista

Calcula o determinante dos coeficientes antes de usar um quociente. No caso em que se anula, volta às equações.

Solução

O determinante é k−2k-2. Se k≠2k\ne2, Cramer dá

x=det⁡[3131]k−2=0k−2=0.x=\frac{\det\begin{bmatrix}3&1\\3&1\end{bmatrix}}{k-2} =\frac0{k-2}=0.

Substituir em qualquer equação dá y=3y=3. Para k=2k=2, ambas as equações são 2x+y=32x+y=3: as soluções são (x,y)=(t,3−2t)(x,y)=(t,3-2t), t∈Rt\in\mathbb R. O quociente 0/00/0 não é uma resposta; é um caso em que Cramer não se aplica. Um determinante nulo não decide, por si só, se há contradição ou infinitas soluções.

Confere a tua resposta:

  • Calcula x por Cramer quando o determinante é não nulo.
  • Estuda o caso excluído nas equações originais e dá todas as soluções.
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Guardar o sinal

Calcula det⁡[021110234]\det\begin{bmatrix}0&2&1\\1&1&0\\2&3&4\end{bmatrix} por eliminação.

Pista

Troca as primeiras duas linhas.

Mais uma pista

A triangular tem diagonal 1,2,7/2.

Solução

Após a troca, a matriz é [110021234]\begin{bmatrix}1&1&0\\0&2&1\\2&3&4\end{bmatrix}. Com L3←L3−2L1L_3\leftarrow L_3-2L_1 fica [110021014]\begin{bmatrix}1&1&0\\0&2&1\\0&1&4\end{bmatrix}; depois L3←L3−12L2L_3\leftarrow L_3-\frac12L_2 produz a diagonal 1,2,7/21,2,7/2. O produto é 7. A troca inicial inverteu o sinal: o determinante original é −7-7.

Erros frequentes

A troca inicial de linhas muda o sinal. As operações de somar múltiplos de linhas mantêm o determinante.

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Cofatores, expansão e transposição

Para A=[123014560]A=\begin{bmatrix}1&2&3\\0&1&4\\5&6&0\end{bmatrix}, calcula C13,C23,C33C_{13},C_{23},C_{33} e usa-os para expandir det⁡A\det A pela terceira coluna. Qual é a terceira linha de adj⁡(A)\operatorname{adj}(A)?

Pista

Retira a linha e a coluna de cada entrada. Aplica o sinal do cofator antes de multiplicar pela entrada de AA.

Solução

Os sinais nesta coluna são +,−,++,-,+. Os cofatores são

C13=det⁡[0156]=−5,C_{13}=\det\begin{bmatrix}0&1\\5&6\end{bmatrix}=-5,C23=−det⁡[1256]=4,C_{23}=-\det\begin{bmatrix}1&2\\5&6\end{bmatrix}=4,C33=det⁡[1201]=1.C_{33}=\det\begin{bmatrix}1&2\\0&1\end{bmatrix}=1.

A expansão pela coluna 3 é 3C13+4C23+0C33=−15+16=13C_{13}+4C_{23}+0C_{33}=-15+16=1. A terceira linha da adjunta é (−5,4,1)(-5,4,1), porque a adjunta transpõe a matriz dos cofatores. Na matriz dos cofatores, estes números estavam numa coluna.

Confere a tua resposta:

  • Calcula os três cofatores da coluna 3 e usa-os numa expansão de Laplace.
  • Indica a linha 3 da adjunta e justifica a transposição.
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Escalar todas as linhas

AA é invertível de ordem 3. Calcula det⁡(3ATA−1)\det(3A^TA^{-1}).

Pista

O fator 3 afeta as três linhas.

Solução

det⁡(3ATA−1)=33det⁡A⋅(1/det⁡A)=27\det(3A^TA^{-1})=3^3\det A\cdot(1/\det A)=27. Multiplicar toda a matriz por 3 não é multiplicar uma única linha.

Erros frequentes

Multiplicar toda a matriz de ordem 3 por 3 multiplica o determinante por 333^3, não por 3.

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