Retas e planos
Equações vetoriais, paramétricas e cartesianas de retas e planos, posições relativas e distâncias.
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A geometria analítica traduz objetos geométricos (retas e planos) para equações com vetores e usa os produtos da página anterior para estudar posições relativas e distâncias. O truque é separar sempre duas peças: um ponto que fixa a posição e um vetor (direção ou normal) que fixa a orientação.
Retas: ponto mais direção
Uma reta fica definida por um ponto e um vetor direção . A equação vetorial é , com : quando varia, percorres todos os pontos da reta.
Com e , a equação paramétrica separa as coordenadas:
Para estás em ; para chegas a . Eliminando obténs a equação cartesiana, que no espaço é um sistema de duas equações (cada uma é um plano, e a reta é a sua interseção):
Se alguma componente da direção for zero, não podes dividir por ela: escreve antes a igualdade correspondente, como , e iguala as restantes frações. No plano (), uma reta também se escreve na forma familiar , onde é um vetor normal à reta.
Planos: ponto mais normal
Um plano fica definido por um ponto e um vetor normal (perpendicular ao plano). Um ponto pertence ao plano exatamente quando , o que dá a equação cartesiana .
Exemplo: o plano que passa pelos pontos , e . Dois vetores do plano são e . A normal é o produto vetorial:
Calculando com cuidado: ; ; . Logo e o plano é . Substituindo , :
(Confirma com os outros dois pontos: e .) O plano também admite equação paramétrica com dois vetores diretores independentes, aqui por exemplo .
Posições relativas
Duas retas no espaço podem ser concorrentes (intersetam-se num ponto), paralelas (direções proporcionais, sem pontos comuns), coincidentes ou enviesadas (nem se intersetam nem são paralelas; isto só acontece em ). O teste segue uma ordem: primeiro compara as direções; se forem proporcionais, testa se um ponto de uma pertence à outra (coincidentes) ou não (paralelas); se não forem, resolve o sistema conjunto e vê se há solução (concorrentes) ou não (enviesadas).
Para reta e plano, substitui a paramétrica da reta na equação do plano. Com a reta e o plano :
Há exatamente uma solução: a reta fura o plano no ponto . Se a substituição desse , a reta estaria contida no plano; se desse , seria paralela a ele. O mesmo método resolve interseções de dois planos (em geral uma reta) e de três planos (que é simplesmente um sistema ).
Distâncias
A distância de um ponto a um plano é
A ideia: projeta o vetor de um ponto qualquer do plano até sobre a direção normal. Para o ponto e o plano :
A distância entre dois planos paralelos reduz-se a este caso (escolhe um ponto de um e mede até ao outro). A distância de um ponto a uma reta usa a área do paralelogramo: , onde é um ponto da reta e a sua direção. E a distância entre duas retas enviesadas é o módulo do produto misto de (direção 1, direção 2, vetor que une um ponto de cada) a dividir por : o volume do paralelepípedo a dividir pela área da base dá a altura, que é precisamente a distância.
O que costuma correr mal
- Confundir vetor direção com vetor normal: a reta usa a direção ao longo dela, o plano usa a normal perpendicular. Trocar um pelo outro dá o objeto perpendicular ao pretendido.
- Dividir por uma componente nula da direção ao escrever a equação cartesiana da reta.
- Classificar duas retas como paralelas só porque “não se intersetam”: no espaço podem ser enviesadas. Segue a ordem do teste (direções primeiro).
- Esquecer o módulo ou a normalização nas fórmulas de distância, ou aplicar a fórmula do plano com a equação ainda não na forma .