Superfícies, fluxo e os teoremas da divergência e de Stokes
Área, integrais escalares, normais orientadas, divergência, rotacional e escolha de teoremas.
O plano sobre o quadrado tem mais área que a sua projeção. O mapa transforma cada retângulo do domínio num paralelogramo inclinado.
A área usa o tamanho desse paralelogramo. O fluxo de um campo usa também o lado escolhido para a normal: atravessar a superfície para cima ou para baixo dá sinais opostos.
Parametrizar uma superfície
Para uma parametrização de classe , que cobre a superfície uma só vez salvo fronteiras de área zero, considera o retângulo .
A sua imagem é aproximada pelo paralelogramo gerado por e , ambos tangentes às curvas coordenadas. A área desse paralelogramo é . Somar estas áreas e passar ao limite dá o integral de área. O esquema seguinte mostra o retângulo no domínio e o paralelogramo tangente gerado por e .
Onde o produto não se anula, a parametrização é regular e
O gráfico usa , com produto orientado para cima. A sua área é . No plano sobre o quadrado unitário, o fator é , logo a área é .
A esfera de raio usa
O produto vetorial fundamental é
aponta para fora quando . Nos polos anula-se: a parametrização é singular aí, embora a esfera seja lisa. A singularidade de área zero não altera o integral. A área total é
Integrais de superfície e fluxo
O integral escalar usa e não depende da orientação. Mede, por exemplo, massa de uma casca com densidade superficial .
O fluxo de usa uma normal unitária escolhida :
quando o produto aponta para o lado pedido. Se apontar para o lado contrário, troca o sinal. Não acrescentes a norma outra vez: já está incluída no vetor área.
Para na esfera exterior,
A integração dá .
No gráfico orientado para cima, podes integrar diretamente .
Integral escalar com densidade variável
Na esfera de raio , o peso não é constante. Na parametrização anterior, , por isso . O elemento de área é . Multiplicando:
Na integral em , a substituição muda os limites de a e dá
Portanto, o resultado é . Se representar densidade superficial com unidades compatíveis, este integral mede massa. Trocar a normal não altera o resultado, porque usa a norma do produto vetorial.
O fluxo anterior de deu : incluía a projeção do campo na normal, não o peso . Uma função escalar integra-se com a norma do vetor área; um campo vetorial faz produto escalar com o vetor área orientado. São operações diferentes, mesmo na mesma superfície.
Divergência, rotacional e o operador nabla
Para de classe ,
A divergência é escalar e mede o balanço local de saída. O rotacional é vetorial e mede circulação local orientada. Para , são 1 e .
Com segundas derivadas contínuas, e . O rotacional nulo é necessário para um potencial e suficiente, por exemplo, num aberto simplesmente conexo. As singularidades e o domínio não desaparecem por calculares zero.
Teorema da divergência
Se é um sólido limitado com fronteira fechada regular por partes e é numa vizinhança de , o fluxo exterior através da fronteira iguala o integral da divergência no sólido,
com a normal exterior ao sólido. Para , a divergência é 1, logo o fluxo exterior da esfera é o volume da bola: , como no cálculo direto.
Fechar uma superfície aberta
A hemisfera superior unitária não é fechada. Acrescenta o disco em , cuja normal exterior ao semissólido é . Para , a divergência é 3, e o fluxo total é . Na tampa, o produto com a normal é , logo o fluxo é . Portanto,
Subtrair a tampa só funciona depois de conferires a sua orientação. Usar a normal para cima na base deste sólido inverteria o sinal.
Teorema de Stokes
Para uma superfície orientável , regular por partes, com bordo e um campo numa vizinhança de , a circulação no bordo iguala o fluxo do rotacional através da superfície,
A orientação do bordo segue a mão direita relativamente à normal. Vista de cima, a normal para cima corresponde a percurso anti-horário.
Para e uma circunferência de raio 2 em , escolhe o disco plano com normal para cima. O rotacional é , logo a circulação é . Qualquer outra superfície com o mesmo bordo, orientação compatível e hipóteses válidas dá o mesmo valor, por isso não precisas de integrar sobre a superfície mais complicada indicada no desenho.
Stokes também se aplica a uma superfície fechada, cujo bordo é vazio: o fluxo do rotacional é zero. Isso não afirma que o fluxo de um campo arbitrário numa esfera seja zero.
Escolher o método
| Pedido | Primeira escolha a considerar | Condição a conferir |
|---|---|---|
| Área ou massa superficial | Integral escalar parametrizado | Elemento e cobertura da superfície |
| Fluxo de por superfície fechada | Divergência | Normal exterior e ausência de singularidades no sólido |
| Fluxo por superfície aberta | Direto ou fechar e subtrair tampas | Orientação de cada parte |
| Circulação num bordo espacial | Stokes | Normal e bordo compatíveis |
| Circulação numa curva plana fechada | Green | Campo definido em toda a região |
A aparência da fórmula não basta. Um campo com singularidade dentro do sólido não satisfaz as hipóteses da divergência, mesmo que a derivada calculada fora da singularidade seja zero.
Exercícios
Fechar e subtrair a tampa
Para F=(x,y,z+1), calcula o fluxo exterior na hemisfera superior unitária curva na forma cπ. Qual é c?
Pista
Fecha com o disco em z=0 e aplica divergência ao hemisólido.
Solução
Erros frequentes
A normal exterior da tampa não é para cima. Se subtraíres um fluxo com a orientação errada, perdes duas vezes esse contributo.
Trocar a superfície pelo disco
Para F=(−y,x,0), calcula a circulação no círculo de raio 2 em z=3, anti-horário visto de cima, na forma cπ. Qual é c?
Pista
Solução
Erros frequentes
A altura z=3 não altera este campo. Stokes usa o rotacional de F, não o fluxo de F.
De onde vem o elemento de área
Justifica para e confirma a área sobre o quadrado unitário.
Pista
Mais uma pista
Solução
O retângulo vira o paralelogramo gerado por esses vetores vezes e . A área é
no quadrado dá .
Confere a tua resposta:
- Escrevi as duas tangentes da parametrização.
- Calculei o produto vetorial e a norma.
- Expliquei o paralelogramo aproximante.
Erros frequentes
A norma entra uma só vez. No fluxo orientado usa o vetor área, sem normalizar e sem multiplicar outra vez pela norma.
Fluxo com normal para baixo
Calcula o fluxo de através do gráfico , , orientado para baixo.
Pista
A parametrização é . Escolhe o vetor área com terceira componente negativa.
Mais uma pista
O vetor área é e o produto com o campo é .
Solução
. A superfície é aberta, por isso a divergência não se aplica diretamente.
Erros frequentes
Não multipliques o produto escalar por √6: a escala de área já está no vetor normal não unitário.
Um peso escalar numa superfície curva
Seja a parte da superfície entre e , sem tampas. Calcula e explica o efeito de inverter a normal. Podes aplicar diretamente a divergência a este integral?
Pista
Usa . O peso é escalar, por isso entra a norma do produto vetorial.
Solução
Como o raio coincide com a altura positiva, os parâmetros são e . As tangentes são
O produto vetorial é
cuja norma é . A parametrização é regular em todo este intervalo, pois , e não cobre as tampas. Como , o peso é :
A integral radial vale . Assim, o resultado é . Trocar a ordem do produto vetorial troca o seu sinal, mas conserva a norma, logo conserva o integral escalar. A divergência calcula fluxo de um campo vetorial por uma superfície fechada. Aqui o integrando é escalar e a superfície é aberta, por isso esse teorema não se aplica diretamente.
Confere a tua resposta:
- Parametrizei apenas a parede cónica entre os dois planos.
- Calculei a norma do produto vetorial para dS.
- Substituí a função escalar na parametrização e integrei.
- Expliquei por que a orientação não muda o resultado.