Integrar ao longo de uma curva (e não sobre um intervalo) serve para somar quantidades distribuídas por um fio (massa, carga) ou para calcular o trabalho de uma força ao longo de um trajeto. Há dois integrais distintos: o escalar, que usa o comprimento, e o vetorial, que usa a direção. O teorema de Green liga o segundo ao integral duplo sobre a região delimitada.
Integral de linha escalar
Para f definida sobre a curva C parametrizada por r(t), t∈[a,b]:
∫Cfds=∫abf(r(t))∥r′(t)∥dt.
O fator ∥r′(t)∥ converte dt em comprimento ds. Este integral não depende da orientação: percorrer ao contrário dá o mesmo valor.
Calcula ∫Cxds onde C é o arco de parábola y=x2 de (0,0) a (1,1), parametrizado por r(t)=⟨t,t2⟩, t∈[0,1]. Então r′(t)=⟨1,2t⟩, ∥r′(t)∥=1+4t2, e
∫Cxds=∫01t1+4t2dt.
Com u=1+4t2 (du=8tdt), o integral é 121[u3/2]15=1255−1≈0,85. Confirma a ordem de grandeza: x varia entre 0 e 1 com média cerca de 0,5, e o comprimento do arco é cerca de 1,48, logo 0,5×1,48≈0,74, próximo do valor exato (um pouco abaixo porque o arco é mais comprido onde x é maior).
Integral de linha vetorial e trabalho
Para um campo F ao longo de C orientada:
∫CF⋅dr=∫abF(r(t))⋅r′(t)dt.
Fisicamente é o trabalho: em cada instante, só a componente da força na direção do movimento contribui (F⋅r′), e somamos ao longo do trajeto. Inverter a orientação troca o sinal.
Campos gradiente e independência do caminho
Se F=∇f para algum potencial f, o teorema fundamental diz que só os extremos interessam:
∫C∇f⋅dr=f(B)−f(A),
qualquer que seja o caminho de A a B. Em particular, o integral sobre uma curva fechada é zero.
Para reconhecer um gradiente no plano, verifica a condição cruzada: F=⟨P,Q⟩ com derivadas contínuas é gradiente (em domínios sem buracos) se e só se ∂y∂P=∂x∂Q. Para F(x,y)=⟨2x,2y⟩: ∂y∂P=0=∂x∂Q, e o potencial é f(x,y)=x2+y2. O trabalho de (0,0) a (1,1) é então f(1,1)−f(0,0)=2, por qualquer caminho. Verifica por um caminho concreto (por exemplo, primeiro o eixo x e depois a vertical) para ganhares confiança no teorema.
Teorema de Green
Se C é uma curva fechada simples percorrida no sentido direto (região sempre à esquerda) e fronteira da região R:
∮CPdx+Qdy=∬R(∂x∂Q−∂y∂P)dA.
O teorema troca um integral de linha fechado por um integral duplo, e vice-versa. Usa-o nos dois sentidos: para calcular circulações difíceis via área, ou áreas via linha (com P=−y/2, Q=x/2, o integrando é 1 e obténs A(R)=21∮C−ydx+xdy).
Exemplo: F(x,y)=⟨−y,x⟩ sobre a circunferência unitária. Direto: r(t)=⟨cost,sint⟩, F=⟨−sint,cost⟩, r′=⟨−sint,cost⟩, produto escalar sin2t+cos2t=1, integral ∫02π1dt=2π. Por Green: ∂x∂Q−∂y∂P=1+1=2, e ∬R2dA=2⋅π=2π. Bate certo, e a via Green evita parametrizar.
Falhas frequentes
Trocar ds por dt sem a norma (esquecer ∥r′∥) é o erro mais comum no integral escalar. No vetorial, o erro gémeo é esquecer o produto escalar e integrar componente a componente. E atenção à orientação: só o integral vetorial muda de sinal ao inverter o percurso; se Green der o simétrico do cálculo direto, a curva foi percorrida no sentido retrógrado.