Derivadas parciais, gradiente e jacobiana
Derivação parcial e direcional, vetor gradiente, matriz jacobiana e plano tangente.
Saber para onde uma função de várias variáveis cresce mais depressa é essencial para otimizar, aproximar e resolver equações. A ideia é reduzir o problema a uma variável de cada vez: fixa todas menos uma, deriva, e repete. O gradiente junta essas informações num só vetor que aponta para a subida mais íngreme.
Derivadas parciais
A derivada parcial de em ordem a mede a taxa de variação ao longo da direção do eixo , tratando as restantes variáveis como constantes:
Na prática, derivas como em AM I e tratas as outras letras como números. Para :
No ponto , isto dá e . Ou seja, ao andar um pouco na direção de a função sobe com declive ; ao andar na direção de , desce com declive . Vamos reutilizar este exemplo ao longo da página.
As derivadas parciais só contam a história ao longo dos eixos. Uma função pode ter ambas as parciais num ponto e mesmo assim não ser contínua aí, como viste em limites e continuidade. A diferenciabilidade pede mais do que a existência das parciais: pede que o plano tangente aproxime bem a função em todas as direções.
Derivada direcional
E se andarmos numa direção diagonal, como ? Seja um vetor unitário, isto é, com norma . A derivada direcional de em segundo é:
É um número, não um vetor: diz a taxa de subida nessa direção. O pormenor que mais gente esquece é normalizar . A direção corresponde ao vetor unitário . Sem esta divisão, o resultado vem multiplicado pela norma do vetor e deixa de ser uma taxa por unidade de distância.
Para em segundo , podíamos substituir na definição, mas a secção seguinte dá um atalho.
O gradiente
O gradiente de é o vetor das derivadas parciais:
Para o nosso exemplo, , logo .
O gradiente responde a três perguntas de uma vez:
- Taxa em qualquer direção. Se é diferenciável, . No exemplo, . Confirma: a função sobe devagar nessa diagonal.
- Direção de subida máxima. É a direção do próprio gradiente, e a taxa máxima é a sua norma . Em , a subida mais íngreme vai na direção , com taxa . A descida mais íngreme vai no sentido oposto.
- Direção de nível constante. O gradiente é perpendicular às curvas de nível. Se define uma curva, é perpendicular a essa curva em cada ponto. Por isso o método dos multiplicadores de Lagrange, que vês mais à frente, iguala gradientes.
Repara na diferença de natureza: a derivada direcional é um número (quanto sobe naquela direção); o gradiente é um vetor (para onde subir mais). Misturar os dois é o erro mais comum nos testes.
A matriz jacobiana
Quando a função devolve um vetor, como , cada componente tem o seu gradiente. A matriz jacobiana empilha esses gradientes em linhas:
Em , , com determinante . A jacobiana é a aproximação linear de perto do ponto: transforma pequenos deslocamentos em . Quando vai de em e o determinante é diferente de zero, essa aproximação é invertível, e é daqui que parte o teorema da função inversa.
Se a função devolve um número (como ), a jacobiana é uma linha e coincide com o gradiente transposto. O gradiente é o caso particular; a jacobiana é a versão geral.
Plano tangente
O gradiente também escreve o plano tangente ao gráfico em . O plano passa por e tem vetor normal :
Para em , temos e:
Verifica com um ponto próximo: , enquanto o plano dá . A diferença é , pequena como se espera de uma boa aproximação linear. Esta aproximação é a base da fórmula de Taylor em várias variáveis e da regra da cadeia, o tema seguinte.