Limites e continuidade em várias variáveis
Domínios, curvas de nível, limites por caminhos e continuidade de campos escalares.
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Um campo escalar atribui um número a cada ponto de uma região do plano ou do espaço (temperatura em cada ponto de uma chapa, altitude em cada ponto de um mapa). Antes de derivar ou integrar, é preciso saber onde a função existe, como se comporta perto de cada ponto e se tem saltos. Esta página trata dessas três perguntas.
Domínio: onde a função existe
O domínio é o conjunto dos pontos onde a expressão faz sentido: denominadores não nulos, raízes de argumentos não negativos, logaritmos de argumentos positivos.
Para , as duas parcelas impõem e . Juntas, : um anel (coroa circular) centrado na origem, incluindo a circunferência interior de raio e excluindo a exterior de raio .
Curvas de nível: ver a função sem 3D
Fixar e desenhar o conjunto resultante no plano dá uma curva de nível. O conjunto das curvas de nível é o mapa de contornos da função: curvas próximas significam variação rápida (como curvas de nível apertadas numa encosta íngreme).
Para o paraboloide , a curva de nível é a circunferência de raio , e o nível é só a origem. Para , o nível são os dois eixos e os outros níveis são hipérboles. Se as curvas de nível se cruzam ou mudam de topologia num ponto, esse ponto merece atenção redobrada nos limites.
Limites: chegar ao ponto por todo o lado
Dizer que significa que fica arbitrariamente próximo de sempre que está suficientemente próximo de , venha de que direção vier. No plano há infinitos caminhos de aproximação, e basta um caminho discordante para o limite não existir.
Considera
Ao longo do eixo , a função vale , por isso o limite por esse caminho é . Mas ao longo da reta , vale para , logo o limite por esse caminho é . Dois caminhos, dois valores: o limite na origem não existe.
Por vezes o caminho que denuncia o problema não é uma reta. Para , todos os limites ao longo de retas valem , mas ao longo da parábola obtemos . O limite não existe, e só a parábola o revelou. Quando as retas concordam todas, experimenta parábolas ou antes de conjeturar a existência.
Continuidade e o teorema do aperto
A função é contínua em quando o limite existe e coincide com o valor da função:
Somas, produtos, quocientes (com denominador não nulo) e compostas de funções contínuas são contínuas, por isso polinómios, exponenciais e funções trigonométricas nos seus domínios não dão trabalho: basta substituir.
O caso interessante é a origem de uma função definida por ramos. Para
observa que , logo
Quando tende para , o majorante tende para , por isso o limite é e a função é contínua na origem. Esta técnica (majorar o módulo por algo que tende para zero) é o teorema do aperto aplicado a limites: funciona para todos os caminhos de uma só vez.
Falhas frequentes
A mais grave é concluir existência a partir de alguns caminhos, como explicado acima. Outra é esquecer o domínio: estudar não faz sentido porque a origem nem pertence ao domínio (). E atenção às coordenadas polares: escrever , e fazer só prova o limite se a estimativa final não depender de ; um majorante como não serve.