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Taylor e extremos em várias variáveis

Polinómio de Taylor de segunda ordem, teste da hessiana e multiplicadores de Lagrange.

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Aproximar por polinómios (Taylor) e procurar máximos e mínimos (extremos) são as duas utilizações mais diretas das derivadas. Em várias variáveis, a novidade é a hessiana, a matriz das segundas derivadas que distingue máximos de mínimos e de pontos de sela, e os multiplicadores de Lagrange, que tratam restrições.

Polinómio de Taylor de segunda ordem

Se ff tem derivadas contínuas até à segunda ordem perto de (a,b)(a, b), o polinómio de Taylor de grau 22 é

P2(x,y)=f(a,b)+fxh+fyk+12(fxxh2+2fxyhk+fyyk2),P_2(x, y) = f(a,b) + f_x h + f_y k + \frac{1}{2}\left(f_{xx}h^2 + 2f_{xy}hk + f_{yy}k^2\right),

com h=xah = x - a, k=ybk = y - b e derivadas avaliadas em (a,b)(a, b). É a aproximação quadrática que coincide com a função em valor, inclinação e curvatura no centro.

Para f(x,y)=excosyf(x, y) = e^x \cos y em (0,0)(0, 0): f(0,0)=1f(0,0) = 1, fx=excosy=1f_x = e^x\cos y = 1, fy=exsiny=0f_y = -e^x\sin y = 0, fxx=excosy=1f_{xx} = e^x\cos y = 1, fxy=exsiny=0f_{xy} = -e^x\sin y = 0, fyy=excosy=1f_{yy} = -e^x\cos y = -1. Logo

P2(x,y)=1+x+x2y22.P_2(x, y) = 1 + x + \frac{x^2 - y^2}{2}.

Confirma multiplicando as aproximações de uma variável: (1+x+x2/2)(1y2/2)1+x+x2/2y2/2(1 + x + x^2/2)(1 - y^2/2) \approx 1 + x + x^2/2 - y^2/2. Bate certo até à segunda ordem. Repara na simetria: o termo cruzado hkhk desaparece porque fxy=0f_{xy} = 0, ou seja, perto da origem as variáveis não interagem.

Extremos livres e a hessiana

Um ponto interior (a,b)(a, b) só pode ser extremo local se for ponto crítico: fx(a,b)=0f_x(a, b) = 0 e fy(a,b)=0f_y(a, b) = 0 (o plano tangente é horizontal). Para classificar, usa-se a matriz hessiana

H=(fxxfxyfxyfyy),D=detH=fxxfyyfxy2.H = \begin{pmatrix} f_{xx} & f_{xy} \\ f_{xy} & f_{yy} \end{pmatrix}, \quad D = \det H = f_{xx}f_{yy} - f_{xy}^2.

Se D>0D > 0 e fxx>0f_{xx} > 0, é mínimo local; se D>0D > 0 e fxx<0f_{xx} < 0, é máximo local; se D<0D < 0, é ponto de sela (sobe numa direção e desce noutra); se D=0D = 0, o teste é inconclusivo.

Aplica a f(x,y)=x2+y2xy3xf(x, y) = x^2 + y^2 - xy - 3x. As condições fx=2xy3=0f_x = 2x - y - 3 = 0 e fy=2yx=0f_y = 2y - x = 0 dão x=2yx = 2y e 4yy3=04y - y - 3 = 0, logo o único ponto crítico é (2,1)(2, 1). A hessiana é constante, (2112)\begin{pmatrix} 2 & -1 \\ -1 & 2 \end{pmatrix}, com D=41=3>0D = 4 - 1 = 3 > 0 e fxx=2>0f_{xx} = 2 > 0: mínimo local, com valor f(2,1)=4+126=3f(2, 1) = 4 + 1 - 2 - 6 = -3.

Porque aparece um ponto de sela?

O termo xy-xy inclina a tigela: ao longo de y=xy = x a função cresce como x2x^2, mas noutras direções o comportamento difere. Sem esse termo, x2+y23xx^2 + y^2 - 3x teria mínimo óbvio. O teste da hessiana deteta exatamente este acoplamento através de fxyf_{xy}.

Extremos condicionados e Lagrange

Quando o ponto está preso a uma restrição g(x,y)=0g(x, y) = 0 (por exemplo, uma curva), o extremo já não exige gradiente nulo: exige que f\nabla f seja paralelo a g\nabla g, porque só interessa a variação ao longo da restrição. Isto dá as equações de Lagrange:

f=λg,g(x,y)=0,\nabla f = \lambda \nabla g, \qquad g(x, y) = 0,

onde λ\lambda é o multiplicador. São três equações para xx, yy e λ\lambda.

Determina os extremos de f(x,y)=x+yf(x, y) = x + y sobre a circunferência x2+y2=4x^2 + y^2 = 4. O sistema é 1=2λx1 = 2\lambda x, 1=2λy1 = 2\lambda y, x2+y2=4x^2 + y^2 = 4. Das duas primeiras, x=y=1/(2λ)x = y = 1/(2\lambda); na restrição, 2x2=42x^2 = 4, logo x=±2x = \pm\sqrt{2}. Os candidatos são (2,2)(\sqrt{2}, \sqrt{2}) com f=22f = 2\sqrt{2} (máximo) e (2,2)(-\sqrt{2}, -\sqrt{2}) com f=22f = -2\sqrt{2} (mínimo). Como a circunferência é fechada e limitada, o teorema de Weierstrass garante que máximo e mínimo existem, por isso basta comparar os valores nos candidatos.

Falhas frequentes

Esquecer soluções do sistema de Lagrange é o erro mais caro: equações como x=2λxx = 2\lambda x têm duas famílias de soluções (x=0x = 0 ou λ=1/2\lambda = 1/2), e descartar uma perde candidatos. Outro erro é aplicar o teste da hessiana a pontos da restrição em vez de pontos críticos livres. E quando D=0D = 0, não inventes a classificação: estuda o sinal de ff perto do ponto diretamente ou usa outro método.

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