Amostragem e Teorema do Limite Central
Amostragem aleatória, distribuição da média amostral e a aproximação normal para amostras grandes.
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Até aqui modelámos populações inteiras. Na prática observas uma amostra e queres concluir sobre a população. Esta página faz a ponte: o que se pode esperar da média de uma amostra e o teorema que justifica tratar essa média como normal mesmo quando os dados originais não são.
Amostragem aleatória
Uma amostra aleatória são observações independentes da mesma distribuição, a da população com média e variância . “Aleatória” aqui tem sentido técnico: cada elemento da população tem a mesma hipótese de entrar, e entrar um não influencia entrar outro. Sem isto, tudo o que se segue colapsa: uma amostra enviesada (só medir o servidor de madrugada) estima a população errada com precisão crescente.
A média amostral é ela própria uma variável aleatória: cada amostra dá um valor diferente. Tem média (não tem viés) e variância . O desvio padrão da média, , chama-se erro padrão e mede quanto a média de uma amostra salta de amostra para amostra. Duplicar a precisão exige quadruplicar a amostra, porque o erro cai com .
Teorema do Limite Central
O resultado central da cadeira: para grande, a média amostral é aproximadamente normal, qualquer que seja a distribuição da população:
Regra prática: chega na maioria dos casos; se a população for muito assimétrica, pede-se mais. Repara no que o teorema não diz: não diz que os dados ficam normais (o histograma da amostra continua com a forma original), diz que a média fica normal. É uma afirmação sobre a distribuição amostral da estatística, não sobre os dados.
Intuição rápida: cada observação é um “empurrão” aleatório em torno de ; somar muitos empurrões independentes dilui as assimetrias e o total comporta-se como uma soma de muitos efeitos pequenos, que é exatamente o regime da normal. Se a população já for normal, a média é exatamente normal para qualquer , sem aproximação.
Exemplo: média de 100 medições de latência
A latência de um serviço tem média populacional ms e desvio ms, com distribuição desconhecida e assimétrica. Recolhem-se medições. Qual a probabilidade de a média amostral sair mais de 2 ms longe de 48?
Com , o Teorema do Limite Central aplica-se: , ou seja, desvio ms. Padronizando a margem:
Cerca de 9,5 por cento. Mesmo sem saber a forma da distribuição original, a média de 100 observações comporta-se de forma previsível. E nota a ligação com os integrais de probabilidades contínuas: a área nas caudas é a resposta, e a padronização é o que permite lê-la na tabela.