Variáveis aleatórias
Função massa, densidade e distribuição, valor esperado, variância, covariância e transformações lineares.
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Uma variável aleatória traduz resultados em números: em vez de “caras e coroas”, trabalhas com ou . A partir daqui, toda a incerteza vive em funções: uma que diz quanto vale cada resultado e outra que acumula essas probabilidades. Esta página define essas funções e os dois resumos numéricos que as acompanham sempre, o valor esperado e a variância.
Discretas: função massa e distribuição
Uma variável discreta toma valores isolados . Descreve-se pela função massa de probabilidade , com e soma 1. A função de distribuição acumula: .
Exemplo: dois lançamentos de moeda equilibrada, o número de caras. Então , , , e . A massa responde “quanto vale exatamente aqui”; a distribuição responde “quanto acumula até aqui”. Nos testes, metade dos erros nasce de confundir as duas perguntas.
Contínuas: densidade e integrais
Uma variável contínua toma valores num intervalo, e a probabilidade de um valor exato é zero. Descreve-se pela função densidade de probabilidade , com e área total 1. Probabilidades são áreas:
Repara que a densidade não é uma probabilidade: pode valer mais de 1, desde que a área total seja 1. O que tem de estar entre 0 e 1 é sempre a área, nunca a altura. Se precisares de rever integrais, volta ao integral definido.
Exemplo: o tempo de espera por um autocarro, em minutos, modelado como uniforme em , com densidade nesse intervalo e 0 fora. A probabilidade de esperar entre 3 e 5 minutos é a área do retângulo:
Valor esperado e variância
O valor esperado é a média pesada pelas probabilidades: no caso discreto e no contínuo. No exemplo uniforme, minutos, o centro do intervalo. Interpreta como média de longo prazo: repetindo a experiência muitas vezes, a média das observações aproxima-se deste valor.
A variância mede o espalhamento em torno dessa média:
A segunda forma poupa contas. No exemplo, , e o desvio padrão é minutos. Guarda o padrão: a variância está em unidades ao quadrado; quem se interpreta na unidade original é sempre o desvio padrão.
Duas variáveis: covariância e correlação
Com duas variáveis interessa saber se variam juntas. A covariância é : positiva quando valores altos de uma acompanham valores altos da outra, negativa no caso contrário, zero quando não há relação linear.
Exemplo discreto: e valem 0 ou 1, com , , , . Então e , logo .
A covariância depende das unidades, por isso normaliza-se pelo produto dos desvios: o coeficiente de correlação está sempre entre e . Aqui , logo , uma associação positiva moderada. E o aviso que a cadeira repete: correlação zero não significa independência, apenas ausência de relação linear.