Regime forçado sinusoidal

Fasores de pico, impedâncias, potência complexa e ressonância série e paralelo.

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Uma fonte us(t)=10cos⁡(100t) Vu_s(t)=10\cos(100t)\,\mathrm V alimenta uma resistência e uma bobina em série. Depois de o transitório decair, a corrente oscila à mesma frequência, mas chega aos máximos mais tarde. O fasor permite calcular a amplitude e esse atraso de fase sem resolver de novo a equação diferencial.

Esta resposta sinusoidal aplica-se ao regime permanente de um circuito linear, invariante no tempo e com transitório que decai. Um circuito LC livre ideal, sem resistência e com energia inicial, oscila sem assentar e não tem esse transitório que decai. Uma bobina isolada que conserva uma corrente constante é outro caso sem oscilação nem decaimento. Distingue resposta livre, resposta forçada à frequência da fonte e ressonância. Um circuito com díodo pode gerar outras frequências. As propriedades dos sistemas formalizam estas condições.

Fasores e impedância

Usamos j2=−1j^2=-1 para não confundir a unidade imaginária com corrente. Para u(t)=Umcos⁡(ωt+ϕ)u(t)=U_m\cos(\omega t+\phi), o fasor de pico é U‾=Umejϕ\underline U=U_me^{j\phi} e u(t)=ℜ{U‾ejωt}u(t)=\Re\{\underline Ue^{j\omega t}\}. A frequência fica implícita. Não somes fasores de frequências diferentes numa única equação fasorial.

Por exemplo, 4sin⁡(ωt+π/8)=4cos⁡(ωt−3π/8)4\sin(\omega t+\pi/8)=4\cos(\omega t-3\pi/8) tem fasor de pico 4e−j3π/84e^{-j3\pi/8}. Uma amplitude negativa passa a positiva se acrescentares π\pi à fase. O exercício de conversão adapta amplitude e fase da TP9 de 2025/26 com outra frequência; a frequência fica implícita no cálculo fasorial e não entra no fasor.

Derivar ℜ{X‾ejωt}\Re\{\underline Xe^{j\omega t}\} dá ℜ{jωX‾ejωt}\Re\{j\omega\underline Xe^{j\omega t}\}, porque a derivada da exponencial traz o fator jωj\omega. Por isso, no domínio fasorial, derivar multiplica o fasor por jωj\omega. Assim, U‾=ZI‾\underline U=Z\underline I, com

ZR=R,ZL=jωL,ZC=1jωC=−jωC.Z_R=R,\qquad Z_L=j\omega L,\qquad Z_C=\frac1{j\omega C}=-\frac j{\omega C}.

A impedância tem unidade ohm. A admitância Y=1/ZY=1/Z tem unidade siemens. Na resistência, tensão e corrente estão em fase; na bobina, a tensão adianta a corrente de π/2\pi/2; no condensador, a corrente adianta a tensão de π/2\pi/2.

As impedâncias somam em série; as admitâncias somam em paralelo. Kirchhoff, nós, malhas, divisores, Thévenin e Norton conservam a estrutura algébrica, mas usam complexos. Primeiro converte a fonte, depois calcula a impedância a essa frequência e, no fim, recupera a função real.

Se ainda é difícil ver como uma sinusoide se resume a amplitude e fase, vê esta introdução aos fasores: observa como relaciona cada sinusoide com a sua amplitude e a sua fase.

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Exemplo: circuito RL

A fonte é us(t)=10cos⁡(100t) Vu_s(t)=10\cos(100t)\,\mathrm V, R=3 ΩR=3\,\Omega e L=40 mHL=40\,\mathrm{mH}. Temos Z=3+j4=5ej0,927 ΩZ=3+j4=5e^{j0{,}927}\,\Omega. Logo

I‾=103+j4=1,2−j1,6=2e−j0,927 A,\underline I=\frac{10}{3+j4}=1{,}2-j1{,}6 =2e^{-j0{,}927}\,\mathrm A,

ou i(t)=2cos⁡(100t−0,927) Ai(t)=2\cos(100t-0{,}927)\,\mathrm A. A corrente atrasa-se cerca de 53,1∘53{,}1^\circ. As quedas são U‾R=3,6−j4,8\underline U_R=3{,}6-j4{,}8 e U‾L=6,4+j4,8\underline U_L=6{,}4+j4{,}8 volts. A soma dá 10+j010+j0, como exige a fonte.

Valores eficazes e potência

Para uma sinusoide, Uef=Um/2U_{\rm ef}=U_m/\sqrt2 e Ief=Im/2I_{\rm ef}=I_m/\sqrt2. Um sinal com componente contínua exige calcular a média de u2u^2; não se aplica automaticamente a divisão por 2\sqrt2.

Com fasores de pico e convenção passiva,

P=12ℜ{U‾I‾∗}=UefIefcos⁡(ϕU−ϕI).P=\frac12\Re\{\underline U\underline I^*\} =U_{\rm ef}I_{\rm ef}\cos(\phi_U-\phi_I).

O conjugado é necessário. Para fasores eficazes, a potência complexa é S=U‾efI‾ef∗=P+jQrS=\underline U_{\rm ef}\underline I_{\rm ef}^*=P+jQ_{\rm r}. PP mede-se em watts, QrQ_{\rm r} em var e ∣S∣|S| em VA. O fator de potência é P/∣S∣=cos⁡(ϕU−ϕI)P/|S|=\cos(\phi_U-\phi_I) numa carga sinusoidal.

No RL anterior, Ief=2 AI_{\rm ef}=\sqrt2\,\mathrm A, P=RIef2=6 WP=RI_{\rm ef}^2=6\,\mathrm W e Qr=ωLIef2=8 varQ_{\rm r}=\omega LI_{\rm ef}^2=8\,\mathrm{var}. Temos ∣S∣=10 VA|S|=10\,\mathrm{VA} e fator de potência 0,60{,}6. A bobina ideal troca energia mas tem potência média zero. A potência instantânea pode oscilar e tornar-se negativa durante parte do ciclo.

Ressonância série

Num RLC série,

Z=R+j(ωL−1ωC),ω0=1/LC.Z=R+j\left(\omega L-\frac1{\omega C}\right), \qquad\omega_0=1/\sqrt{LC}.

Em ω0\omega_0, Z=RZ=R: a corrente é máxima para amplitude de tensão da fonte fixa. U‾L\underline U_L e U‾C\underline U_C cancelam-se, embora os seus módulos possam exceder o da fonte. É uma soma de fasores, não de módulos.

Com R=20 ΩR=20\,\Omega, L=50 mHL=50\,\mathrm{mH} e C=20 μFC=20\,\mathrm{\mu F}, temos ω0=1000 rad/s\omega_0=1000\,\mathrm{rad/s} e Q=ω0L/R=2,5Q=\omega_0L/R=2{,}5. Uma fonte com 10 V10\,\mathrm V eficazes dá 0,50 A0{,}50\,\mathrm A eficazes e 5 W5\,\mathrm W. As tensões eficazes na bobina e no condensador são 25 V25\,\mathrm V, em oposição de fase.

As frequências de meia potência da corrente satisfazem ∣ωL−1/(ωC)∣=R|\omega L-1/(\omega C)|=R. A largura de banda angular é Δω=R/L=ω0/Q\Delta\omega=R/L=\omega_0/Q. O pico de tensão no condensador não coincide sempre com a ressonância de corrente; depende do amortecimento e da saída escolhida.

Ressonância paralelo

Para R,L,CR,L,C ideais todos em paralelo,

Y=1R+j(ωC−1ωL).Y=\frac1R+j\left(\omega C-\frac1{\omega L}\right).

Na mesma ω0\omega_0, a admitância é mínima e a impedância máxima, Z=RZ=R. Com fonte de tensão de amplitude fixa, a corrente total é mínima. As correntes reativas cancelam-se nos terminais, mas podem ser grandes em cada ramo. Com fonte de corrente, a tensão é máxima.

Este RLC paralelo tem Q=RC/LQ=R\sqrt{C/L}, diferente da expressão série. Uma fonte ideal DC diretamente em paralelo com uma bobina ideal impõe tensão não nula a um curto em regime estacionário. Para descrever o caso real, inclui resistência do enrolamento e da fonte. O modelo ideal não permite concluir uma corrente DC finita nesse circuito.

Medir amplitudes e fases

Uma sinusoide sem offset tem Um=Upp/2U_m=U_{pp}/2 e Uef=Upp/(22)U_{\rm ef}=U_{pp}/(2\sqrt2). Confirma o tipo de leitura no osciloscópio ou multímetro; não assumes que todo o mostrador apresenta valor eficaz. Para atraso temporal Δt\Delta t entre sinusoides, o módulo da diferença de fase é ωΔt\omega\Delta t, e o sinal depende de qual chega primeiro.

Exercícios

Potência média num RL

Uma fonte us(t)=20cos⁡(ωt) Vu_s(t)=20\cos(\omega t)\,\mathrm V alimenta impedância série Z=3+j4 ΩZ=3+j4\,\Omega. Calcula a potência média dissipada.

Pista

A tensão dada é de pico; a corrente de pico é 20/∣Z∣20/|Z|.

Solução

P=RIef2=3(16/2)=24 WP=RI_{\rm ef}^2=3(16/2)=24\,\mathrm W. Também P=(1/2)ℜ{20(2,4+j3,2)}=24 WP=(1/2)\Re\{20(2{,}4+j3{,}2)\}=24\,\mathrm W, usando o conjugado da corrente de pico.

Erros frequentes

20×420\times4 usa picos e omite o fator de potência. A bobina ideal não dissipa potência média.

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Corrente mínima na ressonância

Num RLC ideal em paralelo, com fonte de tensão sinusoidal de amplitude fixa, por que a corrente total é mínima em ω0=1/LC\omega_0=1/\sqrt{LC}, apesar de as correntes na bobina e no condensador poderem ser grandes?

Pista

Usa admitância, porque os elementos estão em paralelo.

Solução

Em ω0\omega_0, as partes imaginárias cancelam e ∣Y∣|Y| é mínimo, igual a 1/R1/R. A corrente total I‾=YU‾\underline I=Y\underline U fica mínima. As correntes de L e C têm fases opostas e cancelam nos terminais, sem terem de ser zero.

Confere a tua resposta:

  • Soma admitâncias e cancela a parte imaginária.
  • Obtém Z = R na ressonância.
  • Distingue corrente total mínima e correntes de ramo não nulas.

Erros frequentes

No circuito série com tensão fixa, a corrente é máxima na ressonância. Não transfiras esse resultado para o paralelo.

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Converter uma amplitude negativa

Escreve o fasor de pico de u(t)=−7cos⁡(20t+π/4) Vu(t)=-7\cos(20t+\pi/4)\,\mathrm V, usando módulo positivo. Confirma o valor da tensão em t=0t=0.

Pista

Trocar o sinal de um cosseno equivale a deslocar a fase de π\pi.

Solução

U‾=7ej5π/4=7e−j3π/4 V\underline U=7e^{j5\pi/4}=7e^{-j3\pi/4}\,\mathrm V de pico. Em t=0t=0, a parte real é −7/2 V-7/\sqrt2\,\mathrm V, igual ao sinal original. A frequência angular continua a ser 20 rad/s20\,\mathrm{rad/s}; fica implícita no fasor. Valores adaptados da TP9 de 2025/26 com outra frequência.

Confere a tua resposta:

  • Acrescenta π à fase para tornar a amplitude positiva.
  • Escreve o fasor 7 exp(j5π/4), ou uma fase equivalente.
  • Confirma a parte real em t = 0.

Erros frequentes

Não apagues o sinal negativo sem mudar a fase. Não confundas o módulo de pico 77 com o valor eficaz 7/27/\sqrt2.

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