Regime forçado sinusoidal
Fasores de pico, impedâncias, potência complexa e ressonância série e paralelo.
Uma fonte alimenta uma resistência e uma bobina em série. Depois de o transitório decair, a corrente oscila à mesma frequência, mas chega aos máximos mais tarde. O fasor permite calcular a amplitude e esse atraso de fase sem resolver de novo a equação diferencial.
Esta resposta sinusoidal aplica-se ao regime permanente de um circuito linear, invariante no tempo e com transitório que decai. Um circuito LC livre ideal, sem resistência e com energia inicial, oscila sem assentar e não tem esse transitório que decai. Uma bobina isolada que conserva uma corrente constante é outro caso sem oscilação nem decaimento. Distingue resposta livre, resposta forçada à frequência da fonte e ressonância. Um circuito com díodo pode gerar outras frequências. As propriedades dos sistemas formalizam estas condições.
Fasores e impedância
Usamos para não confundir a unidade imaginária com corrente. Para , o fasor de pico é e . A frequência fica implícita. Não somes fasores de frequências diferentes numa única equação fasorial.
Por exemplo, tem fasor de pico . Uma amplitude negativa passa a positiva se acrescentares à fase. O exercício de conversão adapta amplitude e fase da TP9 de 2025/26 com outra frequência; a frequência fica implícita no cálculo fasorial e não entra no fasor.
Derivar dá , porque a derivada da exponencial traz o fator . Por isso, no domínio fasorial, derivar multiplica o fasor por . Assim, , com
A impedância tem unidade ohm. A admitância tem unidade siemens. Na resistência, tensão e corrente estão em fase; na bobina, a tensão adianta a corrente de ; no condensador, a corrente adianta a tensão de .
As impedâncias somam em série; as admitâncias somam em paralelo. Kirchhoff, nós, malhas, divisores, Thévenin e Norton conservam a estrutura algébrica, mas usam complexos. Primeiro converte a fonte, depois calcula a impedância a essa frequência e, no fim, recupera a função real.
Se ainda é difícil ver como uma sinusoide se resume a amplitude e fase, vê esta introdução aos fasores: observa como relaciona cada sinusoide com a sua amplitude e a sua fase.
Exemplo: circuito RL
A fonte é , e . Temos . Logo
ou . A corrente atrasa-se cerca de . As quedas são e volts. A soma dá , como exige a fonte.
Valores eficazes e potência
Para uma sinusoide, e . Um sinal com componente contínua exige calcular a média de ; não se aplica automaticamente a divisão por .
Com fasores de pico e convenção passiva,
O conjugado é necessário. Para fasores eficazes, a potência complexa é . mede-se em watts, em var e em VA. O fator de potência é numa carga sinusoidal.
No RL anterior, , e . Temos e fator de potência . A bobina ideal troca energia mas tem potência média zero. A potência instantânea pode oscilar e tornar-se negativa durante parte do ciclo.
Ressonância série
Num RLC série,
Em , : a corrente é máxima para amplitude de tensão da fonte fixa. e cancelam-se, embora os seus módulos possam exceder o da fonte. É uma soma de fasores, não de módulos.
Com , e , temos e . Uma fonte com eficazes dá eficazes e . As tensões eficazes na bobina e no condensador são , em oposição de fase.
As frequências de meia potência da corrente satisfazem . A largura de banda angular é . O pico de tensão no condensador não coincide sempre com a ressonância de corrente; depende do amortecimento e da saída escolhida.
Ressonância paralelo
Para ideais todos em paralelo,
Na mesma , a admitância é mínima e a impedância máxima, . Com fonte de tensão de amplitude fixa, a corrente total é mínima. As correntes reativas cancelam-se nos terminais, mas podem ser grandes em cada ramo. Com fonte de corrente, a tensão é máxima.
Este RLC paralelo tem , diferente da expressão série. Uma fonte ideal DC diretamente em paralelo com uma bobina ideal impõe tensão não nula a um curto em regime estacionário. Para descrever o caso real, inclui resistência do enrolamento e da fonte. O modelo ideal não permite concluir uma corrente DC finita nesse circuito.
Medir amplitudes e fases
Uma sinusoide sem offset tem e . Confirma o tipo de leitura no osciloscópio ou multímetro; não assumes que todo o mostrador apresenta valor eficaz. Para atraso temporal entre sinusoides, o módulo da diferença de fase é , e o sinal depende de qual chega primeiro.
Exercícios
Potência média num RL
Uma fonte alimenta impedância série . Calcula a potência média dissipada.
Pista
A tensão dada é de pico; a corrente de pico é .
Solução
. Também , usando o conjugado da corrente de pico.
Erros frequentes
usa picos e omite o fator de potência. A bobina ideal não dissipa potência média.
Corrente mínima na ressonância
Num RLC ideal em paralelo, com fonte de tensão sinusoidal de amplitude fixa, por que a corrente total é mínima em , apesar de as correntes na bobina e no condensador poderem ser grandes?
Pista
Usa admitância, porque os elementos estão em paralelo.
Solução
Em , as partes imaginárias cancelam e é mínimo, igual a . A corrente total fica mínima. As correntes de L e C têm fases opostas e cancelam nos terminais, sem terem de ser zero.
Confere a tua resposta:
- Soma admitâncias e cancela a parte imaginária.
- Obtém Z = R na ressonância.
- Distingue corrente total mínima e correntes de ramo não nulas.
Erros frequentes
No circuito série com tensão fixa, a corrente é máxima na ressonância. Não transfiras esse resultado para o paralelo.
Converter uma amplitude negativa
Escreve o fasor de pico de , usando módulo positivo. Confirma o valor da tensão em .
Pista
Trocar o sinal de um cosseno equivale a deslocar a fase de .
Solução
de pico. Em , a parte real é , igual ao sinal original. A frequência angular continua a ser ; fica implícita no fasor. Valores adaptados da TP9 de 2025/26 com outra frequência.
Confere a tua resposta:
- Acrescenta π à fase para tornar a amplitude positiva.
- Escreve o fasor 7 exp(j5π/4), ou uma fase equivalente.
- Confirma a parte real em t = 0.
Erros frequentes
Não apagues o sinal negativo sem mudar a fase. Não confundas o módulo de pico com o valor eficaz .
