Circuitos resistivos
Lei de Ohm, leis de Kirchhoff, método dos nós e equivalente de Thévenin.
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Um circuito é um caminho fechado onde cargas se movem de forma organizada: a corrente , em amperes (), mede a carga que atravessa uma secção por segundo, e a tensão , em volts (), mede a energia por unidade de carga entre dois pontos. Nos circuitos resistivos só há fontes e resistências, sem memória: a resposta é instantânea e tudo se reduz a álgebra linear.
Lei de Ohm e potência
Numa resistência , em ohms (), tensão e corrente relacionam-se por
A potência dissipada (convertida em calor) é , que com a lei de Ohm se escreve de duas formas úteis:
Escolhe a forma conforme o dado fixo: corrente imposta pela malha usa , tensão imposta aos terminais usa . A potência total fornecida pelas fontes iguala sempre a soma das potências dissipadas: é a conservação da energia disfarçada de verificação de contas.
Leis de Kirchhoff
Duas leis governam qualquer circuito, e ambas são conservação:
- Lei dos nós (correntes): a soma das correntes que entram num nó iguala a soma das que saem. É a conservação da carga, porque num nó não se acumula carga.
- Lei das malhas (tensões): a soma das tensões ao longo de qualquer malha fechada é nula. É a conservação da energia por unidade de carga: dar a volta completa e voltar ao mesmo potencial soma zero.
O método dos nós sistematiza isto: escolhe um nó de referência (terra, ), escreve a lei dos nós em cada um dos restantes usando , e resolve o sistema para as tensões. Para circuitos pequenos, simplificar associações em série e paralelo chega lá mais depressa: e .
Equivalente de Thévenin
Qualquer rede linear vista de dois terminais comporta-se como uma fonte de tensão em série com uma resistência :
- é a tensão em aberto entre os terminais (sem nada ligado).
- é a resistência vista dos terminais com as fontes independentes anuladas (fontes de tensão em curto, fontes de corrente em aberto).
Isto separa o circuito em “fonte complicada” e “carga”: uma vez calculado o equivalente, estudar várias cargas é trocar um valor numa fórmula em vez de resolver a rede toda de novo. O divisor de tensão é o caso mais usado: com e em série alimentadas por , a tensão sobre é .
Exemplo: Thévenin de uma rede com duas malhas
Uma fonte alimenta em série; do nó intermédio sai para a terra. Queremos o equivalente visto dos terminais e , e a potência numa carga ligada entre eles.
Em aberto (sem carga), e formam um divisor de tensão:
Anulando a fonte (curto no lugar dos ), de vê-se e em paralelo para a terra:
Com a carga ligada, e formam novo divisor sobre os :
Verificação pela energia: a corrente total que sai da fonte com a carga ligada é , logo a fonte entrega ; em dissipam-se , e em e (ambas com ) dissipam-se cada. A soma fecha com a fonte.
Para onde ir
Resistências respondem no instante. Com condensadores e bobinas o circuito ganha memória, e a resposta passa a depender do passado: são os circuitos reativos.