Rotação de corpos rígidos

Momento angular, torque, inércia, equilíbrio, rolamento, roldanas e pêndulo físico.

TLDR

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Empurrar uma porta junto às dobradiças produz menos rotação do que aplicar a mesma força perpendicular junto ao puxador. O torque depende da força e do braço. Para prever a aceleração angular, precisamos também de saber como a massa se distribui em torno do eixo.

Um corpo rígido mantém as distâncias entre os seus pontos. Pode transladar e rodar ao mesmo tempo, como um cilindro que desce uma rampa.

Momento angular e torque

Em relação a uma origem fixa OO, uma partícula tem momento angular

L⃗O=r⃗×p⃗,τ⃗O=r⃗×F⃗.\vec L_O=\vec r\times\vec p, \qquad \vec\tau_O=\vec r\times\vec F.

r⃗\vec r é o vetor da origem ao ponto de aplicação. Não o confundas com o braço d⊥d_\perp, que é a distância perpendicular da origem à linha de ação. O módulo do torque é rFsin⁡ϕ=Fd⊥rF\sin\phi=Fd_\perp. A unidade é N m\mathrm{N\,m}, mas torque não é energia: são grandezas físicas diferentes, por isso não compares os valores diretamente.

Com r⃗=(0,30,0,0) m\vec r=(0{,}30,0,0)\ \mathrm m e F⃗=(0,20,0) N\vec F=(0,20,0)\ \mathrm N, temos τ⃗=(0,0,6) N m\vec\tau=(0,0,6)\ \mathrm{N\,m}. O sentido é anti-horário no plano xyxy, visto do lado positivo de zz. Uma força na direção de r⃗\vec r tem torque nulo.

Derivando r⃗×p⃗\vec r\times\vec p numa origem inercial fixa, dL⃗O/dt=τ⃗Od\vec L_O/dt=\vec\tau_O. Para um sistema com forças internas centrais, os torques internos cancelam-se e só conta o torque externo. Sem torque externo relativamente à origem escolhida, conserva-se L⃗O\vec L_O. Uma força central pode ter impulso não nulo e conservar momento angular, porque é paralela a r⃗\vec r.

Binário de forças

Duas forças paralelas com o mesmo módulo e sentidos opostos têm resultante nula. Se as linhas de ação não coincidirem, os seus torques somam-se. O conjunto chama-se binário e tem módulo τ=Fd\tau=Fd, onde dd é a distância perpendicular entre as linhas de ação. O torque do binário não depende da origem escolhida, porque a resultante das forças é zero.

Uma força de 10 N10\ \mathrm N para cima atua em x=+0,15 mx=+0{,}15\ \mathrm m e outra de 10 N10\ \mathrm N para baixo em x=−0,15 mx=-0{,}15\ \mathrm m. Ambas dão torque anti-horário. A resultante é zero, mas τz=0,15×10+(−0,15)(−10)=3 N m\tau_z=0{,}15\times10+(-0{,}15)(-10)=3\ \mathrm{N\,m}. Um corpo livre pode começar a rodar sem acelerar o seu centro de massa. Força resultante nula, por si só, não garante equilíbrio de um corpo rígido.

Momento de inércia

Para um eixo, I=∑imir⊥i2=∫r⊥2 dmI=\sum_i m_ir_{\perp i}^2=\int r_\perp^2\,dm, em kg m2\mathrm{kg\,m^2}. Cada parcela pesa a massa com o quadrado da distância perpendicular ao eixo, porque um ponto mais afastado tem mais velocidade para a mesma velocidade angular.

Uma haste uniforme de comprimento ℓ\ell e massa MM, com eixo perpendicular pelo centro, tem densidade M/ℓM/\ell. Um segmento dxdx à distância xx contribui com (M/ℓ)x2 dx(M/\ell)x^2\,dx. Logo

I=Mℓ∫−ℓ/2ℓ/2x2 dx=Mℓ[x33]−ℓ/2ℓ/2=Mℓ212.I=\frac{M}{\ell}\int_{-\ell/2}^{\ell/2}x^2\,dx =\frac{M}{\ell}\left[\frac{x^3}{3}\right]_{-\ell/2}^{\ell/2} =\frac{M\ell^2}{12}.

O teorema dos eixos paralelos dá I=ICM+Md2I=I_\mathrm{CM}+Md^2, quando os eixos são paralelos e um passa pelo centro de massa. Para a mesma haste com eixo por uma extremidade, d=ℓ/2d=\ell/2, logo I=Mℓ2/3I=M\ell^2/3.

Corpo e eixoMomento de inércia
Aro fino, eixo perpendicular pelo centroMR2MR^2
Disco ou cilindro maciço, eixo de simetriaMR2/2MR^2/2
Esfera maciça, eixo por um diâmetro2MR2/52MR^2/5
Haste fina, eixo perpendicular pelo centroMℓ2/12M\ell^2/12

Estes valores pressupõem densidade uniforme. A forma do corpo sem o eixo não determina o valor de II, por isso confirma sempre o eixo da tabela.

Dinâmica num eixo fixo

Para um corpo rígido a rodar num eixo fixo com inércia constante, a componente axial satisfaz as relações abaixo.

∑τz=Iα,Lz=Iω,Krot=12Iω2.\sum\tau_z=I\alpha,\qquad L_z=I\omega,\qquad K_\mathrm{rot}=\tfrac12I\omega^2.

A mesma relação vale para momentos calculados em torno do centro de massa, mesmo quando o centro de massa acelera. É essa versão que usamos no rolamento: translação do centro de massa mais rotação em torno dele.

A igualdade vetorial L⃗=Iω⃗\vec L=I\vec\omega só pode ser usada quando o eixo e a distribuição de massa a permitem, como num eixo principal. Numa rotação geral, L⃗\vec L não tem de ser paralelo a ω⃗\vec\omega, porque a inércia depende da direção.

Um disco de M=2 kgM=2\ \mathrm{kg} e R=0,20 mR=0{,}20\ \mathrm m tem I=0,040 kg m2I=0{,}040\ \mathrm{kg\,m^2}. Uma força tangencial de 3 N3\ \mathrm N no bordo dá τ=0,60 N m\tau=0{,}60\ \mathrm{N\,m} e α=15 rad/s2\alpha=15\ \mathrm{rad/s^2}. Partindo do repouso, ao fim de 2 s2\ \mathrm s, ω=30 rad/s\omega=30\ \mathrm{rad/s} e θ=30 rad\theta=30\ \mathrm{rad}. O trabalho τθ=18 J\tau\theta=18\ \mathrm J coincide com Iω2/2=18 JI\omega^2/2=18\ \mathrm J. A potência instantânea é P=τωP=\tau\omega.

Equilíbrio de um corpo rígido

O equilíbrio estático exige simultaneamente ∑F⃗=0\sum\vec F=0 e ∑τ⃗=0\sum\vec\tau=0. Escolhe para os momentos o ponto onde atua uma reação desconhecida, porque essa reação sai da equação.

Uma viga uniforme de 4 m4\ \mathrm m e peso 200 N200\ \mathrm N tem apoios nos extremos e uma carga de 300 N300\ \mathrm N a 3 m3\ \mathrm m do apoio esquerdo. Se RA,RBR_A,R_B são as reações verticais, RA+RB=500 NR_A+R_B=500\ \mathrm N. A reação em AA tem braço nulo relativamente a esse apoio. A reação em BB roda a viga no sentido anti-horário; os dois pesos rodam-na no sentido horário:

4RB−2×200−3×300=0.4R_B-2\times200-3\times300=0.

Logo RB=325 NR_B=325\ \mathrm N e RA=175 NR_A=175\ \mathrm N. O peso da viga atua no centro por ser uniforme. Um apoio que só empurra exige reação não negativa. Se a conta exigir tração num contacto simples, o contacto suposto deixa de existir, ou seja a viga levantaria.

Braços numa prancha inclinada

Uma prancha uniforme de comprimento LL e massa mm está articulada numa extremidade, a um ângulo 0<θ<π/20<\theta<\pi/2 da horizontal. Uma carga de massa MM repousa a distância ss da articulação, medida ao longo da prancha. Uma força vertical para cima na outra extremidade mantém o equilíbrio. Para o conjunto prancha e carga, os contactos entre as duas são internos.

O braço de cada força vertical é a distância horizontal à articulação. Assim,

FLcos⁡θ=mgL2cos⁡θ+Mgscos⁡θ.FL\cos\theta=mg\frac L2\cos\theta+Mgs\cos\theta.

Como cos⁡θ≠0\cos\theta\ne0, a mesma projeção cancela em todos os termos:

F=g(m2+MsL).F=g\left(\frac m2+\frac{Ms}{L}\right).

O valor não depende da inclinação neste modelo. Se substituirmos a força vertical por uma força horizontal para a esquerda, o seu braço passa a Lsin⁡θL\sin\theta, enquanto os pesos conservam os braços horizontais. O equilíbrio exige então

Fh=g(m2+MsL)cot⁡θ.F_h=g\left(\frac m2+\frac{Ms}{L}\right)\cot\theta.

A orientação da força decide qual projeção usar. Não acrescentes um cosseno só por a prancha estar inclinada. A carga precisa de um contacto ou fixação que a mantenha em repouso; as equações do conjunto não verificam, por si só, essa condição.

Rolamento sem deslizamento

Num corpo que rola numa superfície parada, o ponto de contacto tem velocidade instantânea nula. A velocidade desse ponto soma translação e rotação: vcontacto=vCM−Rω=0v_\mathrm{contacto}=v_\mathrm{CM}-R\omega=0. Por isso, vCM=R∣ω∣v_\mathrm{CM}=R|\omega|. Em movimento unidimensional com sinais coerentes, aCM=Rαa_\mathrm{CM}=R\alpha.

A energia é

K=12MvCM2+12ICMω2.K=\tfrac12Mv_\mathrm{CM}^2+\tfrac12I_\mathrm{CM}\omega^2.

Um cilindro maciço desce uma rampa a 30∘30^\circ. O atrito estático aponta para cima da rampa e produz o torque em torno do centro. A direção saiu das equações com a condição de rolamento, não de uma regra de contrariar o movimento: o centro desce e o atrito aponta para cima. Escolhendo a descida positiva,

Ma=Mgsin⁡θ−f,fR=ICMα.Ma=Mg\sin\theta-f,\qquad fR=I_\mathrm{CM}\alpha.

A condição a=Rαa=R\alpha dá f=ICMa/R2f=I_\mathrm{CM}a/R^2. Substituindo na equação de translação,

Ma=Mgsin⁡θ−ICMR2a⇒a=gsin⁡θ1+ICM/(MR2).Ma=Mg\sin\theta-\frac{I_\mathrm{CM}}{R^2}a \quad\Rightarrow\quad a=\frac{g\sin\theta}{1+I_\mathrm{CM}/(MR^2)}.

Para o cilindro maciço, ICM/(MR2)=1/2I_\mathrm{CM}/(MR^2)=1/2. Assim, a=(2/3)gsin⁡30∘=3,27 m/s2a=(2/3)g\sin30^\circ=3{,}27\ \mathrm{m/s^2} e f=Mgsin⁡30∘/3f=Mg\sin30^\circ/3. Para M=4 kgM=4\ \mathrm{kg}, f=6,54 Nf=6{,}54\ \mathrm N e N=Mgcos⁡30∘≈33,98 NN=Mg\cos30^\circ\approx33{,}98\ \mathrm N. O modelo só vale se μs≥f/N=tan⁡30∘/3≈0,192\mu_s\ge f/N=\tan30^\circ/3\approx0{,}192.

Partindo do repouso e percorrendo 2 m2\ \mathrm m, v=2aℓ≈3,62 m/sv=\sqrt{2a\ell}\approx3{,}62\ \mathrm{m/s}. Pela energia, a altura perdida é 1 m1\ \mathrm m e Mg(1 m)=12Mv2+14Mv2Mg(1\ \mathrm m)=\tfrac12Mv^2+\tfrac14Mv^2, dando o mesmo resultado. O atrito estático não dissipa energia neste modelo de superfície parada e rolamento ideal. Se houver deslizamento ou deformação com resistência de rolamento, esse balanço muda, por isso confirma o regime antes de usar a energia.

Roldana com inércia

Uma massa m=1 kgm=1\ \mathrm{kg} desce desenrolando um fio num disco de massa M=2 kgM=2\ \mathrm{kg} e raio R=0,10 mR=0{,}10\ \mathrm m, com eixo fixo sem atrito. O fio não desliza. As equações são

mg−T=ma,TR=Iα,a=Rα.mg-T=ma,\qquad TR=I\alpha,\qquad a=R\alpha.

Como I=MR2/2=0,010 kg m2I=MR^2/2=0{,}010\ \mathrm{kg\,m^2}, a=mg/(m+I/R2)=4,905 m/s2a=mg/(m+I/R^2)=4{,}905\ \mathrm{m/s^2} e T=4,905 NT=4{,}905\ \mathrm N. A massa não cai livremente, porque parte da energia põe o disco a rodar. Numa máquina de Atwood com m1>m2m_1>m_2, escolhemos o positivo para baixo em m1m_1, para cima em m2m_2 e no sentido de rotação da descida de m1m_1. As equações são

m1g−T1=m1a,T2−m2g=m2a,(T1−T2)R=Iα.m_1g-T_1=m_1a,\qquad T_2-m_2g=m_2a, \qquad (T_1-T_2)R=I\alpha.

Com a=Rαa=R\alpha, somamos as equações dos corpos e eliminamos T1−T2=Ia/R2T_1-T_2=Ia/R^2. Obtemos a=(m1−m2)g/(m1+m2+I/R2)a=(m_1-m_2)g/(m_1+m_2+I/R^2). As tensões diferem para produzir o torque. No limite I=0I=0, recuperamos a roldana ideal.

Pêndulo físico

Um corpo rígido suspenso num eixo horizontal sem atrito, a distância d>0d>0 do centro de massa, tem torque gravítico −Mgdsin⁡θ-Mgd\sin\theta. Medimos θ\theta desde o equilíbrio com o centro de massa por baixo do eixo. Para pequenos ângulos em radianos,

IOθ¨+Mgdθ=0,T=2πIOMgd.I_O\ddot\theta+Mgd\theta=0, \qquad T=2\pi\sqrt{\frac{I_O}{Mgd}}.

Uma haste uniforme de comprimento ℓ=1 m\ell=1\ \mathrm m, suspensa pela extremidade, tem IO=Mℓ2/3I_O=M\ell^2/3 e d=ℓ/2d=\ell/2. Logo T=2π2ℓ/(3g)≈1,638 sT=2\pi\sqrt{2\ell/(3g)}\approx1{,}638\ \mathrm s. Não é o período de um ponto material a um metro do eixo, porque a massa está distribuída.

Conservação e precessão

Uma pessoa numa plataforma sem torque externo reduz II de 33 para 1,2 kg m21{,}2\ \mathrm{kg\,m^2}. Se inicialmente ω=3 rad/s\omega=3\ \mathrm{rad/s}, L=9 kg m2/sL=9\ \mathrm{kg\,m^2/s} mantém-se e a velocidade final é 7,5 rad/s7{,}5\ \mathrm{rad/s}. A energia cresce de 13,513{,}5 para 33,75 J33{,}75\ \mathrm J, porque a pessoa faz trabalho interno ao fechar os braços.

Ver precessão lenta

Num giroscópio em rotação rápida, um torque perpendicular a L⃗\vec L muda sobretudo a direção de L⃗\vec L. Seja dd a distância do apoio ao centro de massa e θ\theta o ângulo do eixo com a vertical. Na aproximação de precessão lenta e regular, o torque gravítico tem módulo Mgdsin⁡θMgd\sin\theta e a mudança de direção exige ∣dL⃗/dt∣=ΩLsin⁡θ|d\vec L/dt|=\Omega L\sin\theta. Para sin⁡θ≠0\sin\theta\ne0, obtemos Ω≈Mgd/Lspin\Omega\approx Mgd/L_\mathrm{spin}. Desprezamos a nutação e supomos que o momento angular é dominado pela rotação rápida. Sem torque externo, o vetor momento angular mantém-se.

Impacto e energia de rotação

Um disco inicialmente parado, de massa M=2 kgM=2\ \mathrm{kg} e raio R=0,20 mR=0{,}20\ \mathrm m, gira num eixo fixo sem atrito. Uma pequena massa m=0,10 kgm=0{,}10\ \mathrm{kg} chega tangencialmente ao bordo a v=20 m/sv=20\ \mathrm{m/s} e fica presa. Durante o impacto, o torque externo axial é desprezável, mas o apoio pode fornecer impulso linear. Conservamos o momento angular em torno do eixo, sem impor conservação do momento linear do conjunto.

Antes do impacto, Li=mvR=0,40 kg m2/sL_i=mvR=0{,}40\ \mathrm{kg\,m^2/s}. Depois, a inércia é a soma do disco e da pequena massa no bordo, If=MR2/2+mR2=0,044 kg m2I_f=MR^2/2+mR^2=0{,}044\ \mathrm{kg\,m^2}. Logo

ωf=LiIf=0,400,044≈9,09 rad/s.\omega_f=\frac{L_i}{I_f}=\frac{0{,}40}{0{,}044}\approx9{,}09\ \mathrm{rad/s}.

A energia inicial é mv2/2=20 Jmv^2/2=20\ \mathrm J e a final é Ifωf2/2≈1,82 JI_f\omega_f^2/2\approx1{,}82\ \mathrm J. O impacto inelástico transforma cerca de 18,18 J18{,}18\ \mathrm J noutras formas de energia. Não uses conservação da energia cinética para calcular ωf\omega_f, porque o enunciado descreve um choque inelástico.

Ver energia de um volante

Num volante de inércia, a energia recuperável entre duas velocidades é ΔE=I(ωi2−ωf2)/2\Delta E=I(\omega_i^2-\omega_f^2)/2. Com I=0,50 kg m2I=0{,}50\ \mathrm{kg\,m^2}, uma descida de 100100 para 80 rad/s80\ \mathrm{rad/s} disponibiliza 900 J900\ \mathrm J antes de perdas. Se a potência útil média for 300 W300\ \mathrm W e não houver perdas, essa energia dura 900/300=3 s900/300=3\ \mathrm s. O trabalho de um torque variável calcula-se por W=∫τz dθW=\int\tau_z\,d\theta; não se deve usar τΔθ\tau\Delta\theta se o torque variar.

Exercícios

Equilíbrio da viga

Uma viga uniforme de 4 m e peso 200 N tem apoios nas extremidades. Uma carga de 100 N está a 1 m do apoio esquerdo. Qual a reação do apoio esquerdo, em N?

Pista

Toma momentos no apoio esquerdo para obter primeiro a reação direita.

Mais uma pista

4R_B = 200 × 2 + 100 × 1; R_A + R_B = 300.

Solução

Escolhe momentos em B para eliminar R_B: 4R_A = 200 × 2 + 100 × 3. Então R_A = 700/4 = 175 N e R_B = 300 − 175 = 125 N. O peso da viga atua no centro por ser uniforme.

Erros frequentes

Esquecer o peso da viga ou trocar a reação esquerda pela direita.

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Verificar o rolamento

Um cilindro maciço parte do repouso numa rampa a 30°. Qual o coeficiente mínimo de atrito estático para rolar sem deslizar? Dá um número adimensional.

Pista

O atrito necessário vem das equações de translação e rotação.

Mais uma pista

Para o cilindro, f = Mg sin θ/3 e N = Mg cos θ.

Solução

Das equações Ma = Mg sinθ − f e fR = Iα com a = Rα, obtém-se f = Mg sinθ/3. Então μ_s mínimo = f/N = tan(30°)/3 ≈ 0,19245. Um atrito disponível menor torna inválida a hipótese de rolamento puro.

Erros frequentes

Assumir rolamento sem verificar se o contacto pode fornecer o torque necessário.

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Momento angular e trabalho interno

Uma pessoa numa plataforma tem inércia total inicial de 4 kg m24\ \mathrm{kg\,m^2} e velocidade angular de 2 rad/s2\ \mathrm{rad/s}. Ao fechar os braços, reduz a inércia para 4/3 kg m24/3\ \mathrm{kg\,m^2}. Despreza o torque externo axial e as perdas. Calcula a velocidade angular final e a variação de energia cinética. De onde vem essa energia?

Pista
Depois de conservar Iω, calcula a energia em cada estado. Ela depende do quadrado de ω.
Solução

O momento angular axial mantém-se: L=Iiωi=4×2=8 kg m2/sL=I_i\omega_i=4\times2=8\ \mathrm{kg\,m^2/s}. Assim, ωf=L/If=8/(4/3)=6 rad/s\omega_f=L/I_f=8/(4/3)=6\ \mathrm{rad/s}.

A energia inicial é Ki=4×22/2=8 JK_i=4\times2^2/2=8\ \mathrm J. A final é Kf=(4/3)×62/2=24 JK_f=(4/3)\times6^2/2=24\ \mathrm J. O aumento de 16 J16\ \mathrm J vem do trabalho muscular ao aproximar a massa do eixo. Torque externo nulo conserva momento angular, mas não impede trabalho interno.

Confere a tua resposta:

  • Calculo velocidade angular final de 6 rad/s.
  • Obtenho energia inicial de 8 J e final de 24 J.
  • Relaciono o aumento de 16 J com trabalho interno, sem torque externo.
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Aro com eixo na periferia
Um aro fino uniforme de 2 kg e raio 0,30 m roda em torno de um eixo perpendicular ao plano que passa pela sua periferia. Qual o momento de inércia? Adapta a questão 11 do exame de 14 de junho de 2023.

Pista
Desloca o eixo do centro para a periferia com os eixos paralelos.
Mais uma pista
I = MR² + MR², com d = R.
Solução
No centro, I_CM = MR² = 0,18 kg·m². Com d = R = 0,30 m, I = 0,18 + 2 × 0,09 = 0,36 kg·m². A forma sem o eixo não chega: o mesmo aro no centro teria metade deste valor.

Erros frequentes

Usar MR² do centro, ou MR²/2 de um disco, sem deslocar o eixo.
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Escolher a conservação num eixo fixo
Um aro fino uniforme de 2 kg e raio 0,20 m está parado num eixo fixo perpendicular pelo centro. Uma massa pontual de 0,10 kg chega tangencialmente ao bordo a 20 m/s e fica presa. O impulso do torque externo axial é desprezável. Qual o módulo da velocidade angular final?

Pista
Conserva o momento angular em torno do eixo. Inclui a massa presa na inércia final.
Mais uma pista
L_i = mvR. Para o aro, I = MR²; depois do impacto, I_f = (M + m)R².
Solução
L_i = 0,10 × 20 × 0,20 = 0,40 kg·m²/s. I_f = 2,10 × 0,20² = 0,084 kg·m². Logo ω_f = 0,40/0,084 ≈ 4,762 rad/s. O apoio pode fornecer impulso linear e o choque perde energia cinética.

Erros frequentes

Usar MR²/2, que corresponde a um disco, esquecer a massa presa ou conservar energia cinética no choque inelástico.
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Mudar o eixo da haste
Uma haste uniforme de M = 1 kg e ℓ = 1 m roda em torno de um eixo perpendicular pela extremidade. Qual o momento de inércia?

Pista
Parte do centro de massa e desloca o eixo.
Solução
I = Mℓ²/12 + M(ℓ/2)² = Mℓ²/3 ≈ 0,333 kg·m².

Erros frequentes

Usar o valor do centro sem aplicar os eixos paralelos.
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Período de uma haste suspensa
Uma haste uniforme de 1 m está suspensa pela extremidade. Usa g = 9,81 m/s² e pequenos ângulos. Qual o período?

Pista
Precisas de I_O e da distância ao centro de massa.
Mais uma pista
I_O = Mℓ²/3 e d = ℓ/2. Depois T = 2π√(I_O/(Mgd)).
Solução
T = 2π√(2ℓ/(3g)) ≈ 1,638 s. É menor que o período de um ponto material a 1 m, porque a massa está distribuída.

Erros frequentes

Substituir o tamanho da haste pelo comprimento de um fio simples.
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A força roda, o braço muda

Uma prancha uniforme de L=4 mL=4\ \mathrm m e massa m=2 kgm=2\ \mathrm{kg} faz 30∘30^\circ com a horizontal. Está articulada na extremidade inferior. Uma carga de M=6 kgM=6\ \mathrm{kg}, fixada à prancha, está a s=8/3 ms=8/3\ \mathrm m da articulação, medidos ao longo da prancha. Usa g=10 m/s2g=10\ \mathrm{m/s^2}.

  1. Que força vertical para cima na extremidade superior mantém o equilíbrio? Qual a reação vertical da articulação sobre o conjunto?
  2. Se substituirmos essa força por uma força horizontal para a esquerda no mesmo ponto, qual deve ser o seu módulo?

Pista
Toma momentos na articulação e usa a distância perpendicular a cada linha de ação.
Solução

Para a força vertical, os três braços contêm cos⁡30∘\cos30^\circ. Depois de cancelar esse fator não nulo,

4F=20×2+60×83=200 N m.4F=20\times2+60\times\frac83=200\ \mathrm{N\,m}.

Logo F=50 NF=50\ \mathrm N. O equilíbrio vertical dá Ry+50−20−60=0R_y+50-20-60=0, portanto Ry=30 NR_y=30\ \mathrm N.

A força horizontal tem braço 4sin⁡30∘=2 m4\sin30^\circ=2\ \mathrm m. Os torques dos pesos continuam a ter o fator cos⁡30∘\cos30^\circ. Assim, 2Fh=200cos⁡30∘=1003 N m2F_h=200\cos30^\circ=100\sqrt3\ \mathrm{N\,m} e Fh=503 NF_h=50\sqrt3\ \mathrm N, cerca de 86,6 N86{,}6\ \mathrm N. A articulação fornece também a reação horizontal que equilibra essa força. Usar o comprimento total como braço para todas as forças perderia a diferença entre os dois casos.

Confere a tua resposta:

  • Obtenho 50 N para a força vertical e reação vertical de 30 N na articulação.
  • Obtenho 50√3 N para a força horizontal.
  • Distingo os braços horizontais dos pesos do braço vertical da força horizontal.
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