Conjuntos e relações

Pertença, inclusão, operações, provas por elementos e relações de equivalência.

TLDR

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Um conjunto reúne objetos distintos. A ordem e as repetições não contam: {1,2,2}={2,1}\{1,2,2\}=\{2,1\}. Os seus elementos podem ser números, pares ou outros conjuntos. Antes de operar, identifica sempre o tipo de elemento.

Pertença e inclusão

Escrevemos x∈Ax\in A quando xx é um elemento de AA. Escrevemos A⊆BA\subseteq B quando todos os elementos de AA pertencem a BB:

A⊆B⟺∀x(x∈A→x∈B).A\subseteq B\Longleftrightarrow\forall x(x\in A\to x\in B).

A inclusão é estrita, A⊂BA\subset B, quando A⊆BA\subseteq B e A≠BA\ne B. Aqui conservamos essa convenção. O conjunto vazio ∅\emptyset é subconjunto de qualquer conjunto, porque não tem elemento que viole a condição.

Não confundas ∅\emptyset com {∅}\{\emptyset\}. O primeiro não tem elementos; o segundo tem um elemento, o conjunto vazio. Em A={1,{2}}A=\{1,\{2\}\}, temos 1∈A1\in A e {2}∈A\{2\}\in A, mas 2∉A2\notin A e {2}⊈A\{2\}\not\subseteq A.

Usamos N={0,1,2,…}\mathbb N=\{0,1,2,\ldots\} e N+={1,2,…}\mathbb N^+=\{1,2,\ldots\}. Os naturais incluem zero. Z\mathbb Z contém também os negativos; Q\mathbb Q contém quocientes de inteiros com denominador não nulo.

Descrever um conjunto

Em extensão, listamos os elementos. Em compreensão, indicamos uma condição:

{0,2,4,…}={2k:k∈N}.\{0,2,4,\ldots\}=\{2k:k\in\mathbb N\}.

A pertença a {f(x):P(x)}\{f(x):P(x)\} exige uma testemunha:

y∈{f(x):P(x)}⟺∃x(f(x)=y∧P(x)).y\in\{f(x):P(x)\}\Longleftrightarrow \exists x(f(x)=y\land P(x)).

Assim, 16∈{k2:k∈N}16\in\{k^2:k\in\mathbb N\} porque k=4k=4 serve. O conjunto {k2:k∈Z}\{k^2:k\in\mathbb Z\} também contém 16, mas pode ter várias testemunhas para o mesmo elemento. Isso não repete o elemento no conjunto.

Os quantificadores limitados são abreviaturas:

∀x∈A P(x)≡∀x(x∈A→P(x)),\forall x\in A\,P(x)\equiv\forall x(x\in A\to P(x)), ∃x∈A P(x)≡∃x(x∈A∧P(x)).\exists x\in A\,P(x)\equiv\exists x(x\in A\land P(x)).

Operações e as suas leis

Fixamos um universo UU para falar de complementos.

OperaçãoCondição de pertença
A∪BA\cup Bx∈A∨x∈Bx\in A\lor x\in B
A∩BA\cap Bx∈A∧x∈Bx\in A\land x\in B
A∖BA\setminus Bx∈A∧x∉Bx\in A\land x\notin B
Ac=U∖AA^c=U\setminus Ax∈U∧x∉Ax\in U\land x\notin A
AΔBA\mathbin\Delta Bxx pertence exatamente a um dos dois conjuntos

Com A={1,2,3,4}A=\{1,2,3,4\} e B={3,4,5}B=\{3,4,5\}, a interseção é {3,4}\{3,4\}, a união é {1,2,3,4,5}\{1,2,3,4,5\} e a diferença simétrica é {1,2,5}\{1,2,5\}.

União e interseção são comutativas e associativas. Também se distribuem uma sobre a outra. As leis de De Morgan são:

(A∪B)c=Ac∩Bc,(A∩B)c=Ac∪Bc.(A\cup B)^c=A^c\cap B^c, \qquad (A\cap B)^c=A^c\cup B^c.

A diferença não é comutativa nem associativa, por isso lê-se a partir dos parênteses, mesmo quando os conjuntos têm nomes curtos.

Provar uma identidade

Para provar A=BA=B, mostramos A⊆BA\subseteq B e B⊆AB\subseteq A, ou construímos uma cadeia de equivalências de pertença.

Vamos provar A∖(B∪C)=(A∖B)∩(A∖C)A\setminus(B\cup C)=(A\setminus B)\cap(A\setminus C). Para um elemento arbitrário xx:

x∈A∖(B∪C)⟺x∈A∧¬(x∈B∨x∈C)⟺x∈A∧x∉B∧x∉C⟺(x∈A∧x∉B)∧(x∈A∧x∉C)⟺x∈(A∖B)∩(A∖C).\begin{aligned} x\in A\setminus(B\cup C) &\Longleftrightarrow x\in A\land\neg(x\in B\lor x\in C)\\ &\Longleftrightarrow x\in A\land x\notin B\land x\notin C\\ &\Longleftrightarrow (x\in A\land x\notin B)\land(x\in A\land x\notin C)\\ &\Longleftrightarrow x\in(A\setminus B)\cap(A\setminus C). \end{aligned}

A segunda passagem usa De Morgan; a terceira usa a idempotência da conjunção. Como o argumento vale para qualquer xx, os conjuntos são iguais.

Refutar com um contraexemplo

A igualdade A∖(B∖C)=(A∖B)∖CA\setminus(B\setminus C)=(A\setminus B)\setminus C é falsa. Escolhe A=B=C={1}A=B=C=\{1\}. O lado esquerdo é {1}∖∅={1}\{1\}\setminus\emptyset=\{1\}; o direito é ∅∖{1}=∅\emptyset\setminus\{1\}=\emptyset.

Um contraexemplo pode usar conjuntos vazios ou com um só elemento. Para refutar uma inclusão X⊆YX\subseteq Y, encontra um elemento concreto de XX que não pertence a YY, porque um só chega para refutar a inclusão.

Conjunto das partes e cardinalidade

P(A)\mathcal P(A), também escrito 2A2^A, é o conjunto de todos os subconjuntos de AA:

X∈P(A)⟺X⊆A.X\in\mathcal P(A)\Longleftrightarrow X\subseteq A.

Para A={a,b}A=\{a,b\}, temos P(A)={∅,{a},{b},{a,b}}\mathcal P(A)=\{\emptyset,\{a\},\{b\},\{a,b\}\}. Se ∣A∣=n|A|=n é finito, ∣P(A)∣=2n|\mathcal P(A)|=2^n, porque cada elemento pode ser incluído ou excluído de um subconjunto.

As identidades de cardinalidade seguintes pressupõem conjuntos finitos:

∣A∪B∣=∣A∣+∣B∣−∣A∩B∣,∣A∖B∣=∣A∣−∣A∩B∣.|A\cup B|=|A|+|B|-|A\cap B|, \qquad |A\setminus B|=|A|-|A\cap B|.

Subtraímos a interseção porque somar ∣A∣|A| e ∣B∣|B| a conta duas vezes. A igualdade ∣A∪B∣=∣A∣+∣B∣|A\cup B|=|A|+|B| exige que sejam disjuntos.

Temos P(A)∩P(B)=P(A∩B)\mathcal P(A)\cap\mathcal P(B)=\mathcal P(A\cap B): pertencer a ambos significa ser subconjunto de ambos. Já P(A∪B)=P(A)∪P(B)\mathcal P(A\cup B)=\mathcal P(A)\cup\mathcal P(B) falha em geral. Com A={a},B={b}A=\{a\},B=\{b\}, o subconjunto {a,b}\{a,b\} pertence só ao lado esquerdo.

Diferença de conjuntos das partes

Em geral, P(A∖B)\mathcal P(A\setminus B) não é P(A)∖P(B)\mathcal P(A)\setminus\mathcal P(B). A diferença entre estes dois conjuntos é uma diferença entre subconjuntos, não entre elementos de AA:

X∈P(A∖B)⟺X⊆A ∧ X∩B=∅,X∈P(A)∖P(B)⟺X⊆A ∧ X⊈B.\begin{aligned} X\in\mathcal P(A\setminus B) &\Longleftrightarrow X\subseteq A\ \land\ X\cap B=\emptyset,\\ X\in\mathcal P(A)\setminus\mathcal P(B) &\Longleftrightarrow X\subseteq A\ \land\ X\not\subseteq B. \end{aligned}

A primeira condição exige que nenhum elemento de XX esteja em BB. A segunda exige pelo menos um elemento de XX fora de BB, mas permite outros dentro de BB.

O vazio revela logo uma falha: ∅∈P(A∖B)\emptyset\in\mathcal P(A\setminus B) para quaisquer A,BA,B, mas ∅∉P(A)∖P(B)\emptyset\notin\mathcal P(A)\setminus\mathcal P(B), pois também pertence a P(B)\mathcal P(B). Portanto, nem a inclusão do primeiro conjunto no segundo vale em geral. Um universal sobre um conjunto vazio não fornece a testemunha que um existencial exige.

Produto cartesiano

A×BA\times B reúne pares ordenados (a,b)(a,b) com a∈Aa\in A e b∈Bb\in B. Os pares (a,b)(a,b) e (b,a)(b,a) podem ser diferentes. Para conjuntos finitos, ∣A×B∣=∣A∣ ∣B∣|A\times B|=|A|\,|B|. Se um dos conjuntos for vazio, o produto é vazio.

A distribuição por união dá:

(A∪B)×C=(A×C)∪(B×C).(A\cup B)\times C=(A\times C)\cup(B\times C).

Para a justificar, (x,y)(x,y) pertence ao lado esquerdo se (x∈A∨x∈B)∧y∈C(x\in A\lor x\in B)\land y\in C. Distribuir a conjunção dá a pertença ao lado direito.

Com uniões nos dois fatores surgem quatro produtos:

(A∪C)×(B∪D)=(A×B)∪(A×D)∪(C×B)∪(C×D).(A\cup C)\times(B\cup D) =(A\times B)\cup(A\times D)\cup(C\times B)\cup(C\times D).

Esquecer os produtos cruzados pode tornar uma suposta inclusão falsa.

Relações binárias

Uma relação de AA para BB é um subconjunto R⊆A×BR\subseteq A\times B. aRbaRb abrevia (a,b)∈R(a,b)\in R. Ao contrário de uma função, que verás na lição de cardinalidade, uma relação não precisa de associar todos os objetos de AA, nem de escolher um único objeto de BB.

Toma A={1,2,3}A=\{1,2,3\} e R={(1,2),(2,1),(2,2)}R=\{(1,2),(2,1),(2,2)\}. O par (2,2)(2,2) liga 2 a si próprio; os outros dois ligam 1 e 2 nas duas direções. As propriedades seguintes fazem perguntas diferentes sobre esses pares:

PropriedadeCondição
Reflexiva∀a∈A, aRa\forall a\in A,\ aRa
Irreflexiva∀a∈A, ¬aRa\forall a\in A,\ \neg aRa
Simétrica∀a,b∈A, aRb→bRa\forall a,b\in A,\ aRb\to bRa
Antissimétrica∀a,b∈A, (aRb∧bRa)→a=b\forall a,b\in A,\ (aRb\land bRa)\to a=b
Transitiva∀a,b,c∈A, (aRb∧bRc)→aRc\forall a,b,c\in A,\ (aRb\land bRc)\to aRc

Na relação escolhida, reflexividade falha: faltam (1,1)(1,1) e (3,3)(3,3). Simetria vale: o inverso de (1,2)(1,2) é (2,1)(2,1) e o laço (2,2)(2,2) é o seu próprio inverso, todos presentes. Antissimetria falha porque 1R21R2 e 2R12R1 com 1≠21\ne2. Transitividade falha porque 1R21R2 e 2R12R1 exigem 1R11R1, que não está em RR.

Simétrica e antissimétrica não são negações uma da outra. A identidade tem ambas. A relação vazia num conjunto não vazio é simétrica, antissimétrica e transitiva, mas não reflexiva. As implicações são verdadeiras porque nunca há pares que violem as condições.

“Não reflexiva” também não significa “irreflexiva”. Em A={1,2}A=\{1,2\}, R={(1,1)}R=\{(1,1)\} não é nenhuma das duas.

Para refutar transitividade, apresenta aRbaRb e bRcbRc com aR̸ca\not R c. Dois pares isolados sem o mesmo elemento intermédio não refutam a propriedade.

Relações de equivalência e partições

Uma equivalência é reflexiva, simétrica e transitiva. A classe de aa é:

[a]R={b∈A:aRb}.[a]_R=\{b\in A:aRb\}.

Na congruência módulo 3 em Z\mathbb Z, há três classes, representadas por 0, 1 e 2. [1]=[4][1]=[4]; não são duas classes diferentes.

As classes formam uma partição: são não vazias, cobrem AA e duas classes distintas são disjuntas. A reflexividade garante que a∈[a]a\in[a].

Se c∈[a]∩[b]c\in[a]\cap[b], temos aRcaRc e bRcbRc. Para qualquer x∈[a]x\in[a], a simetria dá cRacRa e a transitividade dá bRabRa e depois bRxbRx. Assim, [a]⊆[b][a]\subseteq[b]. Trocando a,ba,b, obtemos a outra inclusão, logo as classes são iguais.

No sentido inverso, uma partição define uma equivalência: relacionamos dois elementos quando pertencem ao mesmo bloco. Cada elemento está no seu bloco; trocar os elementos não muda o bloco; dois blocos com um elemento comum são o mesmo bloco. Isto justifica reflexividade, simetria e transitividade.

O conjunto quociente A/R={[a]R:a∈A}A/R=\{[a]_R:a\in A\} tem classes como elementos. Por exemplo, se A={0,1,2,3,4,5}A=\{0,1,2,3,4,5\} e aRbaRb significa “mesma paridade”, então A/R={{0,2,4},{1,3,5}}A/R=\{\{0,2,4\},\{1,3,5\}\}. Cada bloco BB contribui com B×BB\times B, nove pares; não há pares entre os dois blocos. O quociente tem dois elementos, embora AA tenha seis e a relação tenha dezoito pares. [0]R=[2]R=[4]R[0]_R=[2]_R=[4]_R designam o mesmo bloco.

Uma equivalência definida por uma conta

Em Z\mathbb Z, seja aRbaRb se 4∣(a+3b)4\mid(a+3b). Como a+3b=(a−b)+4ba+3b=(a-b)+4b, isto equivale a a≡4ba\equiv_4 b. Assim, é uma equivalência e tem as quatro classes de restos módulo 4.

Se for pedida uma prova pelas definições, explicita cada propriedade. A reflexividade usa a+3a=4aa+3a=4a. Para simetria, b+3a=3(a+3b)−8bb+3a=3(a+3b)-8b. Para transitividade, a+3c=(a+3b)+(b+3c)−4ba+3c=(a+3b)+(b+3c)-4b. Cada expressão é múltipla de 4 sob as hipóteses correspondentes.

Exercícios

Uma diferença de conjuntos

Prova A∖(B∩C)=(A∖B)∪(A∖C)A\setminus(B\cap C)=(A\setminus B)\cup(A\setminus C) por pertença de um elemento arbitrário.

Pista

Pertencer a uma diferença exige pertencer ao primeiro conjunto e não ao segundo.

Mais uma pista

Usa ¬(q∧r)⇔¬q∨¬r\neg(q\land r)\Leftrightarrow\neg q\lor\neg r e distribui a conjunção.

Solução

Para um elemento arbitrário xx:

x∈A∖(B∩C)⟺x∈A∧¬(x∈B∧x∈C)⟺x∈A∧(x∉B∨x∉C)⟺(x∈A∧x∉B)∨(x∈A∧x∉C)⟺x∈(A∖B)∪(A∖C).\begin{aligned} x\in A\setminus(B\cap C) &\Longleftrightarrow x\in A\land\neg(x\in B\land x\in C)\\ &\Longleftrightarrow x\in A\land(x\notin B\lor x\notin C)\\ &\Longleftrightarrow(x\in A\land x\notin B)\lor(x\in A\land x\notin C)\\ &\Longleftrightarrow x\in(A\setminus B)\cup(A\setminus C). \end{aligned}

A segunda passagem usa De Morgan e a terceira distribui a conjunção. Todas as passagens são equivalências, por isso provam as duas inclusões.

Confere a tua resposta:

  • Comecei com um elemento arbitrário.
  • Traduzi pertença em conetivas e apliquei De Morgan.
  • Obtive uma equivalência nos dois sentidos.

Erros frequentes

Negar uma interseção dá uma disjunção. Escrever duas negações ligadas por conjunção provaria outra identidade.

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Elementos do conjunto das partes

Para A={∅,{1}}A=\{\emptyset,\{1\}\}, escreve P(A)\mathcal P(A). Distingue ∅∈A\emptyset\in A, ∅⊆A\emptyset\subseteq A e {1}⊆A\{1\}\subseteq A.

Pista

AA tem dois elementos, ambos são conjuntos.

Mais uma pista

Os subconjuntos são: nenhum elemento, cada elemento isolado e ambos.

Solução

P(A)={∅,{∅},{{1}},{∅,{1}}}\mathcal P(A)=\{\emptyset,\{\emptyset\},\{\{1\}\},\{\emptyset,\{1\}\}\}. ∅∈A\emptyset\in A é verdadeira por definição de AA; ∅⊆A\emptyset\subseteq A também, pois o vazio é subconjunto de qualquer conjunto. Mas {1}⊆A\{1\}\subseteq A é falsa: exigiria 1∈A1\in A. É {1}∈A\{1\}\in A que é verdadeira.

Confere a tua resposta:

  • Escrevi os quatro subconjuntos sem confundir níveis de chavetas.
  • As duas afirmações sobre o conjunto vazio são verdadeiras.
  • A inclusão de {1} é falsa porque 1 não pertence a A.

Erros frequentes

Eliminar chavetas altera o objeto. {1}\{1\} e {{1}}\{\{1\}\} não são o mesmo conjunto.

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Produto e interseção

Prova (A∩B)×C=(A×C)∩(B×C)(A\cap B)\times C=(A\times C)\cap(B\times C). A prova continua válida se C=∅C=\emptyset?

Pista

Traduz a pertença do par (x,y)(x,y) a cada lado.

Solução

(x,y)∈(A∩B)×C⇔x∈A∧x∈B∧y∈C⇔(x,y)∈(A×C)∩(B×C)(x,y)\in(A\cap B)\times C\Leftrightarrow x\in A\land x\in B\land y\in C\Leftrightarrow(x,y)\in(A\times C)\cap(B\times C). A prova não escolhe um elemento de CC. Se CC é vazio, os dois lados são vazios.

Confere a tua resposta:

  • Trabalhei com um par ordenado.
  • Conferi as duas componentes.
  • Tratei C vazio sem assumir que tinha um elemento.

Erros frequentes

Não confundir A×CA\times C com C×AC\times A: a ordem das componentes importa.

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Conjuntos das partes e inclusão

Prova que A⊆BA \subseteq B se e só se P(A)⊆P(B)\mathcal P(A) \subseteq \mathcal P(B). Em separado, decide se P(A∪B)=P(A)∪P(B)\mathcal P(A \cup B) = \mathcal P(A) \cup \mathcal P(B), com um contraexemplo concreto quando falhar.

Pista

{a}\{a\} com um só elemento liga pertença e inclusão.

Mais uma pista

Para a união, toma A={1}A = \{1\} e B={2}B = \{2\} e pergunta onde fica {1,2}\{1,2\}.

Solução

Se A⊆BA \subseteq B e X⊆AX \subseteq A, então X⊆BX \subseteq B por transitividade, logo P(A)⊆P(B)\mathcal P(A) \subseteq \mathcal P(B). Reciprocamente, se P(A)⊆P(B)\mathcal P(A) \subseteq \mathcal P(B) e a∈Aa \in A, então {a}∈P(A)⊆P(B)\{a\} \in \mathcal P(A) \subseteq \mathcal P(B), logo {a}⊆B\{a\} \subseteq B e a∈Ba \in B. A igualdade da união é falsa: com A={1}A = \{1\} e B={2}B = \{2\}, tem-se {1,2}∈P(A∪B)\{1,2\} \in \mathcal P(A \cup B), mas P(A)={∅,{1}}\mathcal P(A) = \{\varnothing,\{1\}\} e P(B)={∅,{2}}\mathcal P(B) = \{\varnothing,\{2\}\}, cuja união não contém {1,2}\{1,2\}.

Confere a tua resposta:

  • Usei transitividade num sentido e singletons no outro.
  • Exibi o contraexemplo concreto para a união.
  • Conferi em que lado pertence o subconjunto do contraexemplo.

Erros frequentes

Não confundas ∅∈X\varnothing \in X com ∅⊆X\varnothing \subseteq X. A primeira pode falhar; a segunda vale sempre. A monotonia do conjunto das partes não se estende à união.

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Uma inclusão falha no conjunto vazio

Prova ou refuta P(A∖B)⊆P(A)∖P(B)\mathcal P(A\setminus B)\subseteq\mathcal P(A)\setminus\mathcal P(B), para conjuntos arbitrários. A inclusão passa a ser verdadeira se retirarmos ∅\emptyset apenas do lado esquerdo? Justifica pelas condições de pertença.

Pista

O elemento de um conjunto das partes é um conjunto X. Um universal sobre X pode valer sem que X tenha qualquer elemento.

Solução

A inclusão inicial é falsa para quaisquer A,BA,B: ∅\emptyset é subconjunto de A∖BA\setminus B, mas também é subconjunto de BB. Logo pertence ao lado esquerdo e não à diferença do lado direito.

Por exemplo, A={1,2}A=\{1,2\} e B={2}B=\{2\} dão lado esquerdo {∅,{1}}\{\emptyset,\{1\}\} e lado direito {{1},{1,2}}\{\{1\},\{1,2\}\}. O vazio é o elemento que refuta a inclusão.

A inclusão corrigida

P(A∖B)∖{∅}⊆P(A)∖P(B)\mathcal P(A\setminus B)\setminus\{\emptyset\} \subseteq\mathcal P(A)\setminus\mathcal P(B)

é verdadeira. Se XX pertence ao lado esquerdo, então X≠∅X\ne\emptyset e X⊆A∖BX\subseteq A\setminus B. Daí X⊆AX\subseteq A. Como não é vazio, escolhemos x∈Xx\in X; este xx não pertence a BB, logo X⊈BX\not\subseteq B. Portanto X∈P(A)∖P(B)X\in\mathcal P(A)\setminus\mathcal P(B). A escolha de xx é exatamente o passo que falhava para o vazio.

Confere a tua resposta:

  • Usei um subconjunto concreto para refutar a inclusão.
  • Expliquei por que o vazio pertence ao lado esquerdo e falta no direito.
  • Provei a inclusão corrigida para um subconjunto não vazio.
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Equivalência entre quadrados

Em Z\mathbb Z, define aRbaRb se a2≡4b2a^2\equiv_4 b^2. Prova que é uma equivalência e determina todas as suas classes. É a mesma relação que a≡4ba\equiv_4 b?

Pista

A congruência dos valores a2,b2a^2,b^2 tem as três propriedades, mesmo que a função quadrado não seja injetiva.

Mais uma pista

(2k)2(2k)^2 tem resto 0. (2k+1)2=4k(k+1)+1(2k+1)^2=4k(k+1)+1 tem resto 1.

Solução

Reflexividade: a2≡4a2a^2\equiv_4 a^2. Simetria: se a2≡4b2a^2\equiv_4 b^2, então b2≡4a2b^2\equiv_4 a^2. Transitividade: a2≡4b2a^2\equiv_4 b^2 e b2≡4c2b^2\equiv_4 c^2 dão a2≡4c2a^2\equiv_4 c^2.

Os quadrados pares têm resto 0 e os ímpares resto 1. Logo há duas classes, [0]R={2k:k∈Z}[0]_R=\{2k:k\in\mathbb Z\} e [1]R={2k+1:k∈Z}[1]_R=\{2k+1:k\in\mathbb Z\}. Não é a congruência módulo 4: 1R31R3, mas 1̸≡431\not\equiv_4 3.

Confere a tua resposta:

  • Provei reflexividade, simetria e transitividade pela congruência dos quadrados.
  • Calculei os restos dos quadrados de pares e ímpares.
  • Distingui duas classes da relação das quatro classes de congruência módulo 4.

Erros frequentes

Não canceles o quadrado numa congruência. As classes dependem da condição da relação, não apenas do módulo que aparece nela.

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Classificar uma relação por instâncias

Em A={1,2,3}A=\{1,2,3\}, seja R={(1,1),(2,2),(1,2),(2,1),(2,3)}R=\{(1,1),(2,2),(1,2),(2,1),(2,3)\}. Para cada propriedade (reflexiva, simétrica, antissimétrica, transitiva), diz se vale e justifica. Se falhar, apresenta os pares que violam a condição; se valer, verifica todos os casos exigidos.

Pista

Uma propriedade universal refuta-se com um caso; prova-se verificando todos os casos de AA.

Solução

Não é reflexiva: falta (3,3)(3,3). Não é simétrica: (2,3)∈R(2,3)\in R mas (3,2)∉R(3,2)\notin R. Não é antissimétrica: (1,2)(1,2) e (2,1)(2,1) estão ambos em RR com 1≠21\ne 2. Não é transitiva: (1,2)(1,2) e (2,3)(2,3) estão em RR mas (1,3)(1,3) não está.

Confere a tua resposta:

  • Conferi as quatro propriedades sobre o conjunto declarado.
  • Exibi um contraexemplo concreto para cada propriedade que falha.
  • Distingui simetria de antissimetria com os mesmos pares.

Erros frequentes

Não classifiques por impressão geral. Cada resposta precisa de um par que a suporte.

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