Conjuntos e relações
Pertença, inclusão, operações, provas por elementos e relações de equivalência.
Um conjunto reúne objetos distintos. A ordem e as repetições não contam: . Os seus elementos podem ser números, pares ou outros conjuntos. Antes de operar, identifica sempre o tipo de elemento.
Pertença e inclusão
Escrevemos quando é um elemento de . Escrevemos quando todos os elementos de pertencem a :
A inclusão é estrita, , quando e . Aqui conservamos essa convenção. O conjunto vazio é subconjunto de qualquer conjunto, porque não tem elemento que viole a condição.
Não confundas com . O primeiro não tem elementos; o segundo tem um elemento, o conjunto vazio. Em , temos e , mas e .
Usamos e . Os naturais incluem zero. contém também os negativos; contém quocientes de inteiros com denominador não nulo.
Descrever um conjunto
Em extensão, listamos os elementos. Em compreensão, indicamos uma condição:
A pertença a exige uma testemunha:
Assim, porque serve. O conjunto também contém 16, mas pode ter várias testemunhas para o mesmo elemento. Isso não repete o elemento no conjunto.
Os quantificadores limitados são abreviaturas:
Operações e as suas leis
Fixamos um universo para falar de complementos.
| Operação | Condição de pertença |
|---|---|
| pertence exatamente a um dos dois conjuntos |
Com e , a interseção é , a união é e a diferença simétrica é .
União e interseção são comutativas e associativas. Também se distribuem uma sobre a outra. As leis de De Morgan são:
A diferença não é comutativa nem associativa, por isso lê-se a partir dos parênteses, mesmo quando os conjuntos têm nomes curtos.
Provar uma identidade
Para provar , mostramos e , ou construímos uma cadeia de equivalências de pertença.
Vamos provar . Para um elemento arbitrário :
A segunda passagem usa De Morgan; a terceira usa a idempotência da conjunção. Como o argumento vale para qualquer , os conjuntos são iguais.
Refutar com um contraexemplo
A igualdade é falsa. Escolhe . O lado esquerdo é ; o direito é .
Um contraexemplo pode usar conjuntos vazios ou com um só elemento. Para refutar uma inclusão , encontra um elemento concreto de que não pertence a , porque um só chega para refutar a inclusão.
Conjunto das partes e cardinalidade
, também escrito , é o conjunto de todos os subconjuntos de :
Para , temos . Se é finito, , porque cada elemento pode ser incluído ou excluído de um subconjunto.
As identidades de cardinalidade seguintes pressupõem conjuntos finitos:
Subtraímos a interseção porque somar e a conta duas vezes. A igualdade exige que sejam disjuntos.
Temos : pertencer a ambos significa ser subconjunto de ambos. Já falha em geral. Com , o subconjunto pertence só ao lado esquerdo.
Diferença de conjuntos das partes
Em geral, não é . A diferença entre estes dois conjuntos é uma diferença entre subconjuntos, não entre elementos de :
A primeira condição exige que nenhum elemento de esteja em . A segunda exige pelo menos um elemento de fora de , mas permite outros dentro de .
O vazio revela logo uma falha: para quaisquer , mas , pois também pertence a . Portanto, nem a inclusão do primeiro conjunto no segundo vale em geral. Um universal sobre um conjunto vazio não fornece a testemunha que um existencial exige.
Produto cartesiano
reúne pares ordenados com e . Os pares e podem ser diferentes. Para conjuntos finitos, . Se um dos conjuntos for vazio, o produto é vazio.
A distribuição por união dá:
Para a justificar, pertence ao lado esquerdo se . Distribuir a conjunção dá a pertença ao lado direito.
Com uniões nos dois fatores surgem quatro produtos:
Esquecer os produtos cruzados pode tornar uma suposta inclusão falsa.
Relações binárias
Uma relação de para é um subconjunto . abrevia . Ao contrário de uma função, que verás na lição de cardinalidade, uma relação não precisa de associar todos os objetos de , nem de escolher um único objeto de .
Toma e . O par liga 2 a si próprio; os outros dois ligam 1 e 2 nas duas direções. As propriedades seguintes fazem perguntas diferentes sobre esses pares:
| Propriedade | Condição |
|---|---|
| Reflexiva | |
| Irreflexiva | |
| Simétrica | |
| Antissimétrica | |
| Transitiva |
Na relação escolhida, reflexividade falha: faltam e . Simetria vale: o inverso de é e o laço é o seu próprio inverso, todos presentes. Antissimetria falha porque e com . Transitividade falha porque e exigem , que não está em .
Simétrica e antissimétrica não são negações uma da outra. A identidade tem ambas. A relação vazia num conjunto não vazio é simétrica, antissimétrica e transitiva, mas não reflexiva. As implicações são verdadeiras porque nunca há pares que violem as condições.
“Não reflexiva” também não significa “irreflexiva”. Em , não é nenhuma das duas.
Para refutar transitividade, apresenta e com . Dois pares isolados sem o mesmo elemento intermédio não refutam a propriedade.
Relações de equivalência e partições
Uma equivalência é reflexiva, simétrica e transitiva. A classe de é:
Na congruência módulo 3 em , há três classes, representadas por 0, 1 e 2. ; não são duas classes diferentes.
As classes formam uma partição: são não vazias, cobrem e duas classes distintas são disjuntas. A reflexividade garante que .
Se , temos e . Para qualquer , a simetria dá e a transitividade dá e depois . Assim, . Trocando , obtemos a outra inclusão, logo as classes são iguais.
No sentido inverso, uma partição define uma equivalência: relacionamos dois elementos quando pertencem ao mesmo bloco. Cada elemento está no seu bloco; trocar os elementos não muda o bloco; dois blocos com um elemento comum são o mesmo bloco. Isto justifica reflexividade, simetria e transitividade.
O conjunto quociente tem classes como elementos. Por exemplo, se e significa “mesma paridade”, então . Cada bloco contribui com , nove pares; não há pares entre os dois blocos. O quociente tem dois elementos, embora tenha seis e a relação tenha dezoito pares. designam o mesmo bloco.
Uma equivalência definida por uma conta
Em , seja se . Como , isto equivale a . Assim, é uma equivalência e tem as quatro classes de restos módulo 4.
Se for pedida uma prova pelas definições, explicita cada propriedade. A reflexividade usa . Para simetria, . Para transitividade, . Cada expressão é múltipla de 4 sob as hipóteses correspondentes.
Exercícios
Uma diferença de conjuntos
Prova por pertença de um elemento arbitrário.
Pista
Pertencer a uma diferença exige pertencer ao primeiro conjunto e não ao segundo.
Mais uma pista
Usa e distribui a conjunção.
Solução
Para um elemento arbitrário :
A segunda passagem usa De Morgan e a terceira distribui a conjunção. Todas as passagens são equivalências, por isso provam as duas inclusões.
Confere a tua resposta:
- Comecei com um elemento arbitrário.
- Traduzi pertença em conetivas e apliquei De Morgan.
- Obtive uma equivalência nos dois sentidos.
Erros frequentes
Negar uma interseção dá uma disjunção. Escrever duas negações ligadas por conjunção provaria outra identidade.
Elementos do conjunto das partes
Para , escreve . Distingue , e .
Pista
tem dois elementos, ambos são conjuntos.
Mais uma pista
Os subconjuntos são: nenhum elemento, cada elemento isolado e ambos.
Solução
. é verdadeira por definição de ; também, pois o vazio é subconjunto de qualquer conjunto. Mas é falsa: exigiria . É que é verdadeira.
Confere a tua resposta:
- Escrevi os quatro subconjuntos sem confundir níveis de chavetas.
- As duas afirmações sobre o conjunto vazio são verdadeiras.
- A inclusão de {1} é falsa porque 1 não pertence a A.
Erros frequentes
Eliminar chavetas altera o objeto. e não são o mesmo conjunto.
Produto e interseção
Prova . A prova continua válida se ?
Pista
Traduz a pertença do par a cada lado.
Solução
. A prova não escolhe um elemento de . Se é vazio, os dois lados são vazios.
Confere a tua resposta:
- Trabalhei com um par ordenado.
- Conferi as duas componentes.
- Tratei C vazio sem assumir que tinha um elemento.
Erros frequentes
Não confundir com : a ordem das componentes importa.
Conjuntos das partes e inclusão
Prova que se e só se . Em separado, decide se , com um contraexemplo concreto quando falhar.
Pista
com um só elemento liga pertença e inclusão.
Mais uma pista
Para a união, toma e e pergunta onde fica .
Solução
Se e , então por transitividade, logo . Reciprocamente, se e , então , logo e . A igualdade da união é falsa: com e , tem-se , mas e , cuja união não contém .
Confere a tua resposta:
- Usei transitividade num sentido e singletons no outro.
- Exibi o contraexemplo concreto para a união.
- Conferi em que lado pertence o subconjunto do contraexemplo.
Erros frequentes
Não confundas com . A primeira pode falhar; a segunda vale sempre. A monotonia do conjunto das partes não se estende à união.
Uma inclusão falha no conjunto vazio
Prova ou refuta , para conjuntos arbitrários. A inclusão passa a ser verdadeira se retirarmos apenas do lado esquerdo? Justifica pelas condições de pertença.
Pista
O elemento de um conjunto das partes é um conjunto X. Um universal sobre X pode valer sem que X tenha qualquer elemento.
Solução
A inclusão inicial é falsa para quaisquer : é subconjunto de , mas também é subconjunto de . Logo pertence ao lado esquerdo e não à diferença do lado direito.
Por exemplo, e dão lado esquerdo e lado direito . O vazio é o elemento que refuta a inclusão.
A inclusão corrigida
é verdadeira. Se pertence ao lado esquerdo, então e . Daí . Como não é vazio, escolhemos ; este não pertence a , logo . Portanto . A escolha de é exatamente o passo que falhava para o vazio.
Confere a tua resposta:
- Usei um subconjunto concreto para refutar a inclusão.
- Expliquei por que o vazio pertence ao lado esquerdo e falta no direito.
- Provei a inclusão corrigida para um subconjunto não vazio.
Equivalência entre quadrados
Em , define se . Prova que é uma equivalência e determina todas as suas classes. É a mesma relação que ?
Pista
A congruência dos valores tem as três propriedades, mesmo que a função quadrado não seja injetiva.
Mais uma pista
tem resto 0. tem resto 1.
Solução
Reflexividade: . Simetria: se , então . Transitividade: e dão .
Os quadrados pares têm resto 0 e os ímpares resto 1. Logo há duas classes, e . Não é a congruência módulo 4: , mas .
Confere a tua resposta:
- Provei reflexividade, simetria e transitividade pela congruência dos quadrados.
- Calculei os restos dos quadrados de pares e ímpares.
- Distingui duas classes da relação das quatro classes de congruência módulo 4.
Erros frequentes
Não canceles o quadrado numa congruência. As classes dependem da condição da relação, não apenas do módulo que aparece nela.
Classificar uma relação por instâncias
Em , seja . Para cada propriedade (reflexiva, simétrica, antissimétrica, transitiva), diz se vale e justifica. Se falhar, apresenta os pares que violam a condição; se valer, verifica todos os casos exigidos.
Pista
Uma propriedade universal refuta-se com um caso; prova-se verificando todos os casos de .
Solução
Não é reflexiva: falta . Não é simétrica: mas . Não é antissimétrica: e estão ambos em com . Não é transitiva: e estão em mas não está.
Confere a tua resposta:
- Conferi as quatro propriedades sobre o conjunto declarado.
- Exibi um contraexemplo concreto para cada propriedade que falha.
- Distingui simetria de antissimetria com os mesmos pares.
Erros frequentes
Não classifiques por impressão geral. Cada resposta precisa de um par que a suporte.